Ação da Via Varejo pode subir 50%, mas a Black Friday será um grande teste

A dona da Casas Bahia e do Ponto Frio teve lucro líquido de R$ 590 milhões no terceiro trimestre. No mesmo período no ano passado, a empresa registrou prejuízo

Caminhões da Casas Bahia: a Via Varejo está investindo em tecnologia em logística para atrair vendedores para o marketplace
Caminhões da Casas Bahia: a Via Varejo está investindo em tecnologia em logística para atrair vendedores para o marketplace Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Leonardo Guimarães,

do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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A Via Varejo (VVAR3) apresentou resultados fortes no terceiro trimestre de 2020. Entre os destaques do balanço estão números que mostram uma expansão “saudável” do e-commerce. Daqui para frente, o mercado fica de olho na capacidade da empresa em atrair vendedores para seus marketplaces – da Casas Bahia, Ponto Frio e Extra.com.

E os analistas estão otimistas. Não à toa. O resultado da Via Varejo no terceiro trimestre animou os especialistas e os bancos de investimento recomendaram ainda mais a compra do papel. 

O GMV (Volume Bruto de Mercadoria, na sigla em inglês) da empresa atingiu valor recorde de R$ 10 bilhões, com participação de 41% das vendas online.

O Banco Safra coloca as ações da Via Varejo como a principal escolha para o setor, que ainda tem o queridinho Magazine Luiza (MGLU3). A companhia de Luiza Trajano, no entanto, apresentou resultados ainda melhores (cerca de dois terços das vendas da varejista da Magalu vêm dos meios digitais).

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Mas isso não tira o brilho da Via Varejo, segundo os analistas. O preço-alvo estipulado pelo Safra para novembro do ano que vem é de R$ 27  – potencial de valorização de 52% na comparação com o último valor de fechamento (R$ 17,7). 

O preço-alvo definido pelo BB Investimentos prevê valorização de 39%. 

“Os resultados trimestrais corroboram com o momento sólido da Via Varejo, o que sustenta nossa recomendação de compra para o papel”, diz relatório do BTG Pactual. 

Os números, de fato, vieram positivos. O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) mais que dobrou (+106%) e atingiu R$ 1,2 bilhão, valor 2% superior ao que esperava o Bradesco BBI. O resultado mostrou que a expansão do e-commerce acontece de maneira sustentável, segundo o banco de investimentos. 

“O forte crescimento online enquanto as lojas reabriram é prova de um progresso em competitividade, experiência do usuário e nível de serviço”, diz relatório do Bradesco, que analisa os crescimentos do e-commerce (294%), do marketplace (84%) e das vendas em mesmas lojas (4,3%). 

A dona da Casas Bahia e do Ponto frio teve lucro líquido de R$ 590 milhões no terceiro trimestre. No mesmo período no ano passado, a empresa registrou prejuízo. 

Um ponto a se observar, segundo o Bradesco, será a Black Friday. Isso porque esse ano será ainda mais competitivo do que outros, com tantas empresas passando pelo processo de digitalização – assim como os consumidores.

“A Black Friday será um indicador importante de quais empresas estão conseguindo capitalizar a oportunidade oferecida pelas mudanças no comportamento do consumidor como resultado da pandemia”, escreveram os analistas Richard Cathcart, João Andrade e Victor Gaspar.

A chave é o marketplace

Mas quem está pensando em investir na Via Varejo precisa ficar de olho na integração de vendedores ao marketplace. E também a velocidade de entrega. Cada vez mais, o jogo está virando de gente grande. 

A Via Varejo saiu do controle do GPA em meados do ano passado, passando a ser controlada pela família Klein, fundadora da Casas Bahia. Desde então, o grupo passou por uma reestruturação focada em reduzir a distância de concorrentes como Magazine Luiza e B2W no quesito de omnicanalidade de vendas, em que consumidores podem fazer compras online e optar por retirá-las em lojas, por exemplo.

Com isso, nos últimos meses a empresa vem trabalhando para ampliar a facilidade com que vendedores terceiros podem se integrar ao seu marketplace, iniciativa que foi atrasada pela pandemia. Segundo o executivo, a Via Varejo passou a integrar por mês de 800 a mil vendedores a sua plataforma, ante 100 alguns meses atrás.

Vale lembrar que este é um mercado extremamente concorrido, com Magazine Luiza, Amazon e Mercado Livre brigando por cada vendedor. Nessa guerra, quem oferecer o melhor serviço de logística tem vantagem.

A Via Varejo está a alguns meses de distância de conseguir viabilizar entregas de produtos comprados online no mesmo dia da compra.

“Boa parte da nossa energia até agora estava em fazer o básico, colocar ordem na casa, e agora temos tempo para pensar muito além do varejo”, disse o presidente da Via Varejo, Roberto Fulcherberguer, em conferência online com analistas.

“Estamos a poucos meses para destravamos…vamos começar a discutir ‘same day delivery’, seguramente mais para o final do primeiro semestre”. O que está faltando, disse Fulcherberguer, “são algumas camadas de tecnologia”.

Nesta quinta, o Mercado Livre anunciou a abertura de cinco centros logísticos para impulsionar as entregas em até dois dias. O próximo passo da empresa é entregar os produtos comprados no e-commerce no mesmo dia em todo o Brasil, algo que a varejista, por enquanto, só faz na Grande São Paulo. 

Na segunda-feira, a Amazon anunciou três novos centros de distribuição e disse que as entregas em dois dias serão feitas em 500 cidades. O Mercado Livre já atende 1.800 cidades em um prazo de dois dias. 

Para ajudar na construção das “camadas de tecnologia” citadas por Fulcherberguer, a Via Varejo adquiriu a empresa de tecnologia I9XP. A startup tem 155 colaboradores, e 120 deles são desenvolvedores especializados em soluções para e-commerce.

*Com informações da Reuters

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