Acima do teto pela 1ª vez, previsão do governo para inflação encosta nos 6%

Se confirmado, o valor da nova projeção supera o teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN)

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Notas de dinheiro Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Anna Russi,

do CNN Brasil Business, em Brasília

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Pela primeira vez no ano, a equipe econômica prevê uma inflação acima do teto da meta em 2021. De acordo com o Boletim Macrofiscal do Ministério da Economia, divulgado nesta quarta-feira (14), a expectativa atual é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano em 5,9%. Até maio, a previsão era de inflação de 5%. 

Se confirmado, o valor da nova projeção supera o teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Enquanto o centro da meta de inflação este ano é de 3,75%, o intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual deixa uma margem para que o IPCA varie entre 2,25% e 5,25%

Na avaliação da Secretaria de Política Monetária do ME, a inflação tem sido impactada mais fortemente pelas variações ocorridas no grupo dos monitorados. “No acumulado em 12 meses até junho, esse grupo registrou aumento de 13%. Esse aumento é decorrente de elevações significativas nos preços dos combustíveis e energia elétrica, diante das alterações nas bandeiras tarifárias”, observa. 

A equipe econômica destaca, no entanto, que apesar do provável não cumprimento da meta este ano, a inflação está ancorada e “as projeções convergem para o centro da meta de inflação a partir de 2022”. 

Para 2021, o mercado financeiro já vê a inflação em 6,11%. Quando a meta não é cumprida, o Banco Central tem de escrever uma carta pública explicando as razões do descumprimento. Isso porque a principal ferramenta para perseguir a meta inflacionária é a taxa básica de juros, a Selic, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

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