Ações da Didi saltam 50% com possibilidade de fim de investigação chinesa

Medida pode fazer com que a gigante de transporte urbano, dona da 99 no Brasil, volte às lojas de aplicativos na China continental, potencialmente já nesta semana

Notícia encerra um ano dramático para o que já foi uma das empresas mais celebradas e valiosas da China
Notícia encerra um ano dramático para o que já foi uma das empresas mais celebradas e valiosas da China 01/07/2021REUTERS/Florence Lo

Michelle Tohdo CNN Business

Ouvir notícia

O ​​pesadelo regulatório da Didi na China pode estar quase no fim.

De acordo com o Wall Street Journal nesta segunda-feira (6), citando fontes não identificadas, a revisão de segurança cibernética de Pequim sobre a gigante de transporte urbano está prestes a terminar.

A medida pode fazer com que a Didi, dona da 99 no Brasil, volte às lojas de aplicativos na China continental, potencialmente já nesta semana.

O artigo, que vem quase um ano depois que a empresa foi atingida pelos reguladores e teve seu aplicativo banido na China, fez com que suas ações em Nova York subissem 53% nas negociações de pré-mercado nesta segunda.

A Didi não é a única empresa que se diz estar fora de perigo.

Duas outras empresas chinesas listadas nos EUA – a fornecedora de logística Full Truck Alliance e a plataforma de recrutamento online Kanzhun – também estão chegando ao final de suas respectivas investigações de segurança de dados e terão acesso às lojas de aplicativos restauradas também, de acordo com ao Jornal.

As ações dessas empresas subiram 27% e 21% nas negociações de pré-mercado nesta segunda, respectivamente. Didi, Full Truck Alliance e Kanzhun não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

A conclusão da revisão de segurança cibernética chega tarde demais para salvar a Didi de uma retirada vergonhosa de Wall Street apenas um ano após a listagem, e terá mais consequências para a empresa.

Todas as três empresas devem ser multadas, com maior cobrança contra a Didi, disseram fontes ao jornal.

Eles também deverão entregar 1% do capital às autoridades chinesas, dando ao governo um papel oficial nas decisões, segundo o jornal.

Fim de um capítulo

A notícia encerra um ano dramático para o que já foi uma das empresas mais celebradas e valiosas da China.

A Didi lançou uma oferta pública inicial de grande sucesso nos Estados Unidos em junho passado, levantando US$ 4,4 bilhões.

Mas, apenas alguns dias depois, as autoridades chinesas proibiram o serviço das lojas de aplicativos no país e iniciaram a investigação de segurança cibernética. Isso transformou a empresa na face da repressão de Pequim às empresas de tecnologia e a impediu de registrar novos usuários.

Desde então, quase 90% de seu valor de mercado foi eliminado, caindo de quase US$ 70 bilhões um ano atrás para cerca de US$ 9 bilhões agora.

Didi disse em dezembro passado que deixaria o mercado de ações dos EUA, sem dar motivos.

A medida foi amplamente vista como uma tentativa de apaziguar as autoridades chinesas que estavam descontentes com a forma de como a ação foi divulgada no exterior.

No mês passado, os acionistas votaram para prosseguir com a retirada, depois que a empresa disse que os reguladores não seriam capazes de concluir sua investigação enquanto permanecesse listada em Wall Street.

A empresa planeja listar suas ações em Hong Kong, mas não estabeleceu um cronograma específico.

Didi também está enfrentando escrutínio nos Estados Unidos. No início deste mês, divulgou que estava sendo investigada pela Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM dos EUA) pelo IPO fracassado.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

versão original

Mais Recentes da CNN