Ações do Carrefour podem subir até 37%, mas com ressalvas, dizem analistas

Lucro da rede de supermercados cresceu 73% no 3º trimestre; vendas totais subiram 30% e vendas online saltaram 86%

Unidade do Carrefour: empresa segue crescendo muito no e-commerce
Unidade do Carrefour: empresa segue crescendo muito no e-commerce Foto: Reuters/Nacho Doce

Juliana Elias,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Favorecido por preços mais altos nos alimentos e a corrida das pessoas aos supermercados em meio à pandemia, o Carrefour Brasil (CRFB3) mostrou em seus resultados do terceiro trimestre mais um período forte para as vendas

Tendo isso em vista, analistas de diferentes bancos concordam que as ações da rede de supermercados não reagiram na bolsa na mesma velocidade que o aumento de vendas. Isso as deixou abaixo do potencial e dá espaço para que possam subir até 37% nos próximos 12 meses, de acordo com as as projeções. 

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Por outro lado, há pontos de atenção no caminho, como o mau desempenho do braço financeiro e do cartão de crédito da rede, com o risco de aumento de calotes, e também com a possibilidade de a onda de grandes crescimentos vista neste ano acabar bem pequenininha em 2021. 

“A relativa fraqueza da performance das ações, apesar de resultados muito fortes e um progresso estrutural no e-commerce, tem intrigado muitos investidores com que conversamos”, escreveram os analistas do Bradesco em relatório aos clientes. 

“A explicação mais frequente que escutamos é que 2021 tem grandes chances de ser um ano de crescimento relativamente fraco. É um ponto difícil de refutar, tendo em vista  que as vendas foram impulsionadas neste ano com os consumidores passando mais tempo em casa”, diz o documento.

Ainda assim, o Bradesco vê espaço para crescimento e mantem a recomendação:
“O preço das ações ainda está subestimado e nós mantemos nossa recomendação de compra (…). Nós ainda acreditamos que o Carrefour consegue manter o espaço de mercado que ganhou”. 

Na projeção do banco, as ações da rede têm espaço para subir até os R$ 27, uma alta de 37% sobre o valor atual. Na terça-feira (10), o papel fechou valendo R$ 19,64.

O Banco Safra também tem um preço-alvo de R$ 27 para a ação do Carrefour em 2021, e a corretora Genial Investimentos projeta R$ 26, o que seria um aumento de 32% sobre o preço atual. O banco BTG Pactual fala em R$ 24, alta potencial de 22%. 

O Carrefour Brasil teve lucro líquido ajustado de R$ 757 milhões de julho a setembro, alta de 73,1% ante o mesmo período de 2019. As vendas cresceram 29,9%, com especial destaque para o comércio eletrônico: as vendas online cresceram 86% ano a ano. Consideradas só as compras de alimentos pela internet, o crescimento foi de 202,4%.

A receita da divisão financeira, por outro lado, caiu 19% no período, arrastada por mais cuidados e um aumento nas reservas de proteção contra calote, as provisões. O braço financeiro inclui o Banco Carrefour e os cartões da bandeira Carrefour e do Atacadão. 

“Os resultados an divisão financeira foram uma surpresa negativa, mesmo que não vejamos como algo estrutural”, disseram os analistas do banco BTG Pactual em relatório. 

“De maneira geral, vemos este como um momento resiliente para os varejistas de alimentação, com maior visibilidade de ganhos comparado ao de outros segmentos do varejo, ajudados pela alta inflação dos alimentos no Brasil”, continuam.   

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