Agro na bolsa: após participar de 5 IPOs em 2021, XP mira mais 10 até 2022

Condições econômicas do país e a modernização das empresas do setor fizeram com que o agronegócio e mercado começassem a falar a mesma língua

Pedro Freitas, sócio da XP e responsável pelo setor de agronegócio no Investment Banking da empresa
Pedro Freitas, sócio da XP e responsável pelo setor de agronegócio no Investment Banking da empresa VIVIAN KOBLNSKY

Matheus Pradodo CNN Brasil Business

São Paulo

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Existe um desajuste histórico entre a participação do agronegócio na economia nacional e a penetração de empresas do setor no mercado de capitais. Mas, nos últimos anos, as condições econômicas do país – como juros baixos e mercado financeiro em ampla ascensão —, e a modernização das empresas do setor fizeram com que o agronegócio e mercado finalmente começassem a falar a mesma língua.

Prova disso é que seis empresas do segmento realizaram IPO na B3 este ano: Jalles Machado, Boa Safra, 3 Tentos, Agro Galaxy, Raízen e Vittia. Sem contar o follow-on da Boa Safra. Um bom começo, mas que apenas risca a superfície do que o mercado pode oferecer aos investidores.

E é justamente este cenário que a XP, que participou de cinco das ofertas de 2021, desenha o futuro. A casa afirma que há empresas prontas para realizar duas ofertas ainda este ano, e de cinco a oito em 2022.

Confira entrevista do CNN Brasil Business com Pedro Freitas, sócio da XP e responsável pelo setor de agronegócio no Investment Banking da companhia:

Como a XP começou sua relação com o agronegócio?

Boa parte do nosso pioneirismo veio do investimento que a XP fez no relacionamento com o setor, através de produtos de dívida. Apostamos muito, desde 2014, porque acreditávamos na sustentabilidade dessas empresas no médio e longo prazo. Fizemos muitas emissões de CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) e entendemos o mercado, por isso ficamos bem posicionados.

Hoje, dois aspectos promovem a chegada de novas empresas do segmento à bolsa: a representatividade do setor no mercado de capitais estava e continua aquém do PIB; e temos tendências setoriais, com o agro ganhando, por exemplo, protagonismo mundial em biocombustíveis.

Por isso, tivemos recorde de IPOs esse ano e, a depender de janelas de mercado, nossa visão é muito positiva para o setor como um todo e para subsetores do agro, já que os IPOs realizados até aqui foram bem pulverizados, como empresas de áreas de atuação completamente distintas.

O que as empresas do setor precisaram fazer para se tornar atraentes para o mercado?

O setor como um todo já tem se organizado, passou por uma profissionalização. Isso foi dando transparência para o mercado, criando um movimento que vem crescendo ao longo dos anos. A partir disso, as empresas de capital aberto viram referência para as que ainda vão chegar.

Há menos de 10 anos, o link era quase inexistente entre o setor rural e o mercado. Em 2014, começaram a surgir os CRAs. Hoje, em termos de dívidas, temos uma relação completamente pavimentada, e estamos expandindo para outros modelos. Como os IPOs (Oferta Pública Inicial) e as FIIs (fundos imobiliários) Agro.

Há subsetores em destaque para futuras aberturas de capital?

O agronegócio como um todo é subpenetrado, assim como os seus vários subsetores. No final das contas, o mercado está à procura de companhias com boa governança e um negócio sustentável.

Entre os destaques, vemos empresas nos setores sucroalcooleiro, de insumos (principalmente especiais) e de proteína animal prontos para entrarem na bolsa de valores. Acreditamos que haja espaço, a depender de janelas do mercado, para duas ofertas ainda este ano, e de cinco a oito em 2022.

Como o ambiente de negócios pode alavancar ou travar esse fluxo de IPOs?

Caso exista um cenário favorável em termos macroeconômicos, entendemos que temos empresas prontas para abrir capital e demanda dos investidores querendo conhecer as teses dessas empresas.

Mas, é claro, as commodities podem ser cíclicas. Aqui, os investidores olham como cada empresa trabalha sua gestão de risco, em termos de câmbio, questões climáticas, hedge e o custo caixa, que é o preço da produção.

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