Além do delivery: iFood quer formar 25 mil profissionais de tecnologia até 2026

Para os cursos, serão priorizados os entregadores da companhia e seus familiares, além de jovens negros e indivíduos de baixa renda

Foto: iFood/Reprodução

Tamires Vitorio, do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Na área de tecnologia sobram vagas, mas faltam profissionais. Uma realidade difícil de se imaginar em um país que tem 14,1 milhões de pessoas desempregadas, segundo os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O problema bate à porta de milhares de empresas no Brasil. Segundo a  Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), para conseguir dobrar o setor de software e serviços em seis anos, cerca de 70 mil profissionais precisariam se formar anualmente até 2024.Porém, por ano, 46 mil pessoas conseguem um diploma em cursos correlatos à tecnologia, causando um déficit de 24 mil profissionais e deixando diversos setores descobertos. 

Nesse contexto, o iFood decidiu investir R$ 2 milhões iniciais em iniciativas para capacitar pessoas de baixa renda. A meta da empresa é formar 25 mil novos profissionais na área de tecnologia até 2026, com parcerias com projetos como o Resilia, que busca ensinar Ciência de Dados para pessoas pobres, e o Reprograma, cujo foco é a formação de mulheres cis e trans. 

Para os cursos, serão priorizados os entregadores da companhia e seus familiares, além de jovens negros e indivíduos de baixa renda. 

“O Brasil deixou de ser industrializado, nossa ciência ficou para trás, e a gente precisa de mão de obra, porque a tecnologia é o presente e o futuro”, diz Gustavo Vitti, vice-presidente Pessoas e Solucões Sustentáveis do iFood. Para ele, o objetivo da empresa é ajudar a “reduzir o apagão de mão de obra de profissionais de tecnologia no país”.

Outros cursos

A empresa também espera capacitar mais de 10 milhões de pessoas com a ajuda de parcerias. No Brasil, a companhia tem 150 mil entregadores e 236 mil restaurantes parceiros.

O iFood afirma que quer ajudar na formação de donos de restaurantes, com parcerias com o Senai e o Sebrae, oferecendo cursos como organização financeira.

Uma parceria anunciada recentemente é com o Instituto Proa, que está selecionando 1.500 jovens de escolas públicas no estado de São Paulo para um curso gratuito de capacitação profissional. A primeira turma começa em março. Até o final de 2021, a meta é capacitar 7.000 jovens. E até 2023, o objetivo é expandir a capacitação para 400 mil pessoas. 

Para Vitti, a iniciativa pode inspirar outras empresas. “Temos esse desejo de ver o Brasil mais igual, com oportunidades mais acessíveis para todos — o que pode beneficiar todo o mercado trabalistaa. Nosso projeto busca responder a uma demanda da sociedade”, diz. “Muitas empresas se espelham na gente, e queremos que eles se espelhem também nas iniciativas sociais.” 

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