Alta recente do dólar é ‘desvio temporário’, diz estrategista do BNP Paribas

O BNP Paribas projeta que o dólar encerrará o ano de 2021 em R$ 4,75

Com ameaça do coronavírus, dólar tem renovado recorde nos pregões da Bolsa de São Paulo
Com ameaça do coronavírus, dólar tem renovado recorde nos pregões da Bolsa de São Paulo Foto: Guadalupe Pardo/Reuters (14.10.2015)

Por Luana Maria Benedito, da Reuters

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 A alta recente do dólar ante mínimas em um ano abaixo de R$ 5 atingidas no mês passado é apenas um “desvio temporário” e não compromete uma tendência mais ampla de desvalorização, disse à Reuters o estrategista de juros e moedas para a América Latina do BNP Paribas André Digiacomo.

Em 24 de junho deste ano, a moeda norte-americana fechou o pregão cotada a R$ 4,9062 seu menor patamar em pouco mais de um ano.

No entanto, o dólar não encerra uma sessão abaixo da marca psicológica de R$ 5 desde o dia 29 do mês passado, e terminou a última semana acima dos R$ 5,25 alta de mais de 7% em relação à minima do dia 24.

“Voltamos a ver números consistentemente mais altos do dólar nas últimas semanas em meio a medidas de inflação cada vez mais elevadas nos Estados Unidos e a problemas idiossincráticos no Brasil, com momentos de turbulência política”, explicou Digiacomo. “Isso afastou o investidor estrangeiro e gerou muita volatilidade para nossa moeda.”

Ainda assim, disse ele, esse não é, necessariamente, o início de uma tendência persistente de alta. “Acreditamos que esse foi só um desvio temporário, com mais volatilidade e distúrbios políticos, e agora estamos voltando ao caminho natural das coisas, que é a gente ver um real mais forte”, afirmou.

Segundo Digiacomo, o aumento da taxa Selic pelo Banco Central tem ajudado muito o desempenho do real, levando os juros para níveis em que a moeda brasileira fica mais competitiva em termos de carrego.

Custos mais altos dos empréstimos no Brasil tornam o real mais atrativo para estratégias de “carry trade”, que consistem na tomada de empréstimos em moeda de país de juro baixo e compra de contratos futuros de uma divisa de juro maior, como a divisa brasileira. O investidor, assim, ganha com a diferença de taxas.

Embora as eleições presidenciais de 2022 devam trazer um “cenário mais desafiador para o real”, elas não devem afetar a tendência de prazo mais longo de fortalecimento da moeda doméstica, afirmou Digiacomo.

O BNP Paribas projeta que o dólar encerrará o ano de 2021 em R$ 4,75.

Nesta quarta-feira, o dólar era negociado em torno dos R$ 5,08 na venda.

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