Altcoins, as criptomoedas alternativas, ganham popularidade entre investidores

Entre as mais de 10 mil moedas digitais, muitas delas têm casos de uso de nicho para setores específicos

'Altcoins', moedas aternativas: litecoin, ripple e ethereum
'Altcoins', moedas aternativas: litecoin, ripple e ethereum Foto: Jack Taylor/Getty Images

Paul R. La Monica, do CNN Business

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A bitcoin e a ethereum são a Coca-Cola e a Pepsi das criptomoedas: o valor somado das duas, de cerca de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5 trilhões), é responsável por quase dois terços do total de US$ 1,6 trilhão (cerca de R$ 8,1 trilhões) em moedas digitais em todo o mundo. 

Mas, assim como alguns fãs de refrigerantes preferem Dr. Pepper (ou guaraná), também há muitas outras alternativas em criptomoedas. De fato, são mais de dez mil delas, de acordo com o  site de pesquisa CoinMarketCap. 

Muitas dessas “altcoins”, as moedas alternativas, têm casos de uso de nicho legítimos para setores específicos. Não são criptomoedas que começaram como uma piada, como a adorada dogecoin de Elon Musk e sua prima canina, a Shiba Inu

Um dos pares de criptomoedas com melhor desempenho neste ano são dois tokens voltados para criadores de conteúdo online, Theta e Theta Fuel. O token Theta subiu quase 400% em 2021, enquanto o Theta Fuel foi a espantosos 1.700%.

Ambos são executados em um blockchain conhecido como Theta Network e permitem que usuários de PC com largura de banda não utilizada compartilhem streams de vídeo com outras pessoas na rede. A recompensa? Eles podem minerar tokens. O Theta tem patrocinadores impressionantes do mundo da mídia digital, incluindo o cofundador do YouTube Steve Chen e o cofundador do Twitch, Justin Kan, ambos conselheiros do Theta.

Enquanto isso, muitas outras altcoins estão atraindo mais atenção na comunidade de investidores em criptomoeda. Vários desses investidores dizem que isso é apenas o começo.

“Ainda vivemos o início das redes de blockchain. Há muitas outras sendo construídas”, disse Greg King, fundador e CEO da Osprey Funds, uma empresa que está investindo em criptomoedas. “Nem todas estão tentando imitar a bitcoin”.

King disse que está se concentrando em duas moedas menores: polkadot e algorand. King descreveu a polkadot como uma internet de blockchains que ajuda a conectar diferentes redes e transferir moedas entre elas.

Segundo ele, a algorand é uma criptomoeda “verde”, mais ecológica do que a bitcoin, que tem sido criticada por muitos, incluindo Musk, pela enorme quantidade de energia que é usada por pessoas que a mineram em imensos servidores. 

A algorand é distribuída de maneira mais eficiente em termos de energia porque faz parte da chamada distribuição de prova de aposta, que seleciona aleatoriamente blocos para distribuir aos usuários, em vez de recompensar pessoas que mineram grandes quantidades da moeda.

King acha que os investidores deveriam se concentrar mais em criptomoedas e tokens como esses dois, que têm usos legítimos – e não se deixar levar pela modinha e o burburinho de coisas como dogecoin, que, mesmo sendo uma piada, aumentou mais de 6.000% este ano graças em grande parte aos tuítes de Musk.

“As moedas meme distraem um pouco, mas acho que faz parte do lado libertário da criptomoeda”, opinou King, referindo-se ao fato de que as pessoas que são céticas em relação às moedas apoiadas pelo governo tendem a migrar para as moedas digitais. “Teremos muitos tokens que irão do bobo ao sério e muitos intermediários”, disse.

Michael Sikorsky, presidente da plataforma financeira Copia Wealth Studios, concorda. Ele disse que sua empresa possui ethereum e bitcoin, mas que também várias outras altcoins menos convencionais, como cardano e polygon, duas outras criptomoedas semelhantes à algorand por não serem mineradas por supercomputadores que consomem muita energia.

“Estamos só começando”, afirmou. Mas ele acrescentou que os investidores devem ter em mente que essas e outras criptomoedas permanecerão voláteis.  Portanto, as altcoins não são só para quem tem nervos de aço, mas, ao mesmo tempo, elas não vão desaparecer.

“Elas estão se tornando uma verdadeira classe de ativos”, pontuou Charlie Silver, CEO da Permission.io, que tem um token chamado ASK voltado para anunciantes de comércio eletrônico.

No entanto, Silver advertiu que “altcoins bem-sucedidas devem ter uma utilidade real. Aquelas que são apenas apostas não serão boas para o setor”, disse. “Mesmo assim, vemos isso como a próxima grande onda de investimentos”.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês aqui.)

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