Após aporte de R$ 180 milhões, Liv Up leva mercado online para o Rio de Janeiro

Lançado no começo deste ano, serviço que estava disponível apenas em São Paulo cruza fronteira para atender demanda carioca

Mercado da Liv Up chega ao Rio
Mercado da Liv Up chega ao Rio Foto: Livup/Reprodução

Tamires Vitorio, do CNN Brasil Business, em São Paulo

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O mercado orgânico da startup de alimentos saudáveis Liv Up chegará ao Rio de Janeiro na primeira quinzena de setembro deste ano após um aporte de R$ 180 milhões.

Lançado no começo deste ano, o mercado online estava disponível somente em São Paulo e oferece a opção aos consumidores de realizar fazer compras de outros itens, como vegetais ou pães frescos — tudo com entrega agendada. Agora, clientes do Rio também poderão fazer pedidos que vão além das comidas prontas e congeladas, marca registrada da foodtech. 

“O hábito de vida do carioca está muito mais exposto a atividades ao ar livre e práticas esportivas, além de ser um mercado saudável muito grande. Enxergamos que o mercado de comidas orgânicas do Rio é muito grande”, afirma Henrique Castellani, COO e fundador da Liv Up.

Segundo Castellani, a entrada da empresa no varejo se deu pelo movimento observado no ano passado, com a Covid-19, e a necessidade de cada vez mais pessoas realizarem compras online. “A pandemia acelerou e acentuou a necessidade do digital. Essa busca por comodidade cresceu muito”, afirma. 

Mas a ideia não veio somente da pandemia. Castellani conta que o time de tecnologia da Liv Up monitora com frequência quais são os pedidos e as necessidades dos clientes. Uma delas, segundo ele, foi o serviço de mercado. “Hoje temos um time de dados muito ligado que está constantemente mapeando as nossas relações com os clientes para saber qual inovação e qual tendência a gente deveria seguir para agradá-lo”, diz. 

Para criar o serviço de compras de mercado, a Liv Up construirá uma “dark store” no estado, que funciona como um estoque que tem todos os produtos a pronta entrega para o usuário, mas que os clientes não frequentam.

 

Embora a empresa não abra os números, Castellani afirma que o investimento na expansão foi alto. “Para isso, nós fazemos parceria com os produtores e montamos uma estrutura robusta. Estamos fazendo um novo imóvel na zona Sul do Rio para poder dar conta do volume. Você muda a característica da operação para trazer essa facilidade para o consumidor”, afirma.

A expectativa com a abertura do mercado no Rio é alta. “Desde o nosso primeiro ano como empresa [2016], temos dobrado de tamanho. No ano passado, passamos dos R$ 100 milhões em faturamento e esperamos aumentar isso em 2021”, conta.

O mercado online, de acordo com Castellani, já cresceu seis vezes desde janeiro até julho “com um portfólio limitado”. “Hoje somos uma empresa que compra mais de 100 mil toneladas de produtos orgânicos e isso vai ser ainda mais acentuado. O Rio deve impulsionar ainda mais o nosso estoque e dobrar o nosso faturamento na parte do mercado online”, diz.

 

Confira a entrevista completa com Castellani:

Como surgiu a Liv Up?

A Liv Up surgiu em 2015, quando eu e o Victor, um amigo de faculdade, estavamos discutindo sobre como estavamos nos alimentando. Com isso, começamos a estudar o setor e tivemos a ideia de criar uma empresa que fosse boa para o consumidor e oferecesse comida saudável para quem tem uma rotina mais corrida.

As pessoas querem comer mais saudável e querem se relacionar digitalmente. A partir daí, começamos a produzir o nosso produto. Começamos com os produtos congelados e, desde o começo de 2021, estamos expandindo o portfólio, com produtos in natura, como cereais, construindo um mercado online para quem quer comer bem.

Vocês agora também fazem entregas pelo iFood, oferecendo comidas prontas (e não congeladas). De onde surgiu essa necessidade?

Em 2020, começamos uma nova unidade de negócio que funciona exclusivamente para delivery que entrega pizza, wraps e saladas, onde o cliente pede e recebe na hora. São quatro cozinhas em São Paulo que fazem essas entregas pelo iFood ou pela Liv Up diretamente.

Isso surgiu da necessidade dos nossos clientes de receberem nossos produtos mais rapidamente. Nas cozinhas, todas as refeições são prontas para o consumo. Na parte do mercado, você tem produtos in natura, como vegetais, ovos e queijos, e também congelados. 

Em quais cidades a Liv Up já funcionava? Por que expandir agora?

Já tínhamos operações em 14 cidades do Brasil, mas com o portfólio 100% de congelados, o que vamos fazer agora e acelerar o mercado online para outras regiões em que já atuamos.

O hábito de vida do carioca está muito mais exposto a atividades ao ar livre e práticas esportivas, além de ser um mercado saudável muito grande. A gente enxerga que o mercado orgânico do Rio é muito forte. 

Para o Rio, vamos expandir o mercado online — com mercearia, laticínio e vegetais, tudo para cozinhar na sua casa. 

A entrada de vocês no varejo foi acelerada pela pandemia?

O movimento que vimos no último ano, principalmente com a pandemia, acelerou a necessidade do digital e acentuou isso cada vez mais. Essa busca por comodidade no digital cresceu muito mais.

A partir de setembro, devemos iniciar nossas operações no Rio de Janeiro, a estrutura física para suportar a operação é grande também, e isso consolida a marca, atendendo um mercado que já é muito grande. 

Além disso, hoje temos um time de dados muito ligado que está constantemente mapeando as nossas relações com os clientes para saber qual inovação e qual tendência a gente deveria seguir para agradá-lo.

Queremos, de fato, transformar o setor que é bastante arcaico. Por isso colocamos a tecnologia em tudo.

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