Após três meses de queda, produção industrial registra alta de 1,4% em maio

Com o resultado de maio, a indústria chega ao mesmo patamar de fevereiro de 2020, no cenário pré-pandemia

Funcionário em indústria.
Funcionário em indústria. Foto: José Paulo Lacerda / Agência Brasil

Thâmara Kaoru, do CNN Brasil Business, em São Paulo

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A produção industrial brasileira cresceu 1,4% em maio na comparação com abril, após três meses consecutivos de queda, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (2).

Com o resultado de maio, a indústria chega ao mesmo patamar de fevereiro de 2020, no cenário pré-pandemia. Apesar do avanço, o setor ainda se encontra 16,7% abaixo do nível recorde, registrado em maio de 2011. No ano, o setor acumula alta de 13,1% e, em 12 meses, de 4,9%.

O resultado positivo do índice geral em maio foi disseminado por 15 das 26 atividades investigadas pela pesquisa, informou o IBGE. 

Puxaram a alta do mês os produtos alimentícios (2,9%), coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (3,0%) e indústrias extrativas (2,0%). As duas primeiras cresceram após caírem em abril.

“A maior parte das atividades volta ao crescimento após perdas importantes nos meses anteriores. O setor de derivados do petróleo, por exemplo, que é o segundo maior impacto positivo do mês, havia recuado 10%. Isso significa que há algum grau de recomposição em relação às perdas dos últimos meses”, diz o gerente da pesquisa, André Macedo.

Outros resultados positivos vieram das atividades de metalurgia (3,2%), de outros produtos químicos (2,9%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (8,0%), de bebidas (2,9%) e de confecção de artigos do vestuário e acessórios (6,2%). Já as atividades que mais impactaram negativamente o índice foram produtos de borracha e de material plástico (-3,8%), máquinas e equipamentos (-1,8%) e produtos têxteis (-6,1%).

Segundo o IBGE, houve avanço em duas das grandes categorias econômicas: bens de consumo semi e não-duráveis (3,6%) e bens de capital (1,3%). Já os setores produtores de bens de consumo duráveis (-2,4%) e de bens intermediários (-0,6%) recuaram em maio.

Perdas dos meses anteriores

Segundo Macedo, o resultado positivo de maio não reverteu o saldo negativo de 4,7% acumulado nos meses de fevereiro, março e abril.

“Muito desse comportamento de predominância negativa nos últimos meses tem uma relação direta com o recrudescimento da pandemia, no início de 2021, que trouxe um desarranjo para as cadeias produtivas”, disse.

O pesquisador destaca que o desabastecimento de matéria-prima e o encarecimento dos custos de produção estão entre as consequências sentidas pelo setor industrial.

Indústria cresce 24% frente a maio de 2020

Na comparação com maio do ano passado, a produção industrial cresceu 24%, a segunda taxa mais elevada desde o início da série histórica da pesquisa, em janeiro de 2002. A mais alta foi registrada no mês passado (34,7%). É o nono mês consecutivo de crescimento nesse indicador.

O gerente da pesquisa diz, porém, que os resultados positivos são explicados pela baixa base de comparação, já que, à época, a indústria sofria as consequências das paralisações das plantas industriais em função das medidas de isolamento social para combater a pandemia. Em maio de 2020, por exemplo, o setor industrial havia recuado 21,9%.

“Os meses de abril e maio do ano passado foram os pontos mais baixos da série histórica. Isso explica essas taxas muito expressivas do ponto de vista da magnitude e esse espalhamento de resultados positivos pelas atividades”, afirma.

Para Macedo, além de impactar diretamente no setor industrial, o agravamento da pandemia atingiu outros setores econômicos, o que reflete nos resultados da indústria. “Pelo lado do consumo das famílias, da demanda, há todos os fatores que nos afetam no dia a dia: renda disponível menor, inflação mais elevada, contingente importante de trabalhadores fora do mercado de trabalho. Tudo isso influencia a economia como um todo e a produção industrial também sente isso de alguma forma”, diz.

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