Atlético-MG terá cards digitais de jogadores e leilão de obra de arte em NFT

Equipe mineira é a primeira do Brasil a entrar para o catálogo da plataforma Sorare, que licencia cartas em Ethereum

Foto: Sorare

Matheus Prado,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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O Atlético Mineiro será o primeiro clube brasileiro a ter cards em NFT (non-fungible tokens) de jogadores, graças à parceria com a plataforma Sorare, anunciada na quinta-feira (6). Com isso, torcedores do mundo inteiro poderão comprar cards do Hulk, Nacho Fernández e Guilherme Arana, por exemplo.

Criado em 2018, o site francês está tentando catapultar o segmento para outro nível, apostando em cartas com registro em blockchain e possibilidade de utilização em várias plataformas. Foi lá que uma carta do jogador Kylian Mbappé, companheiro de Neymar no PSG, foi vendida por 55 mil euros (cerca de R$ 350 mil) em dezembro.

Funciona assim: a Sorare faz parceria com times de futebol (já são 137) e licencia cartas digitais dos jogadores daquela equipe diretamente em Ethereum, plataforma que executa contratos usando blockchain. Ou seja, os itens são únicos e podem se tornar peças de coleção.

Além disso, a Sorare tem uma segunda faceta igualmente popular para engajar os cerca de 100 mil colecionadores ativos. As cartas compradas no site podem ser utilizadas no fantasy game da empresa, o SO5, que funciona como o brasileiro “Cartola”.    

Cada jogador seleciona cinco cards para formar uma equipe, sendo obrigatório ter um goleiro, um defensor, um meia e um atacante. Os times são posicionados em divisões conforme o nível das cartas e disputam campeonatos semanais. Ganham as equipes em que os atletas tiverem as melhores performances na vida real.

Isso é, se um jogador tem uma carta do Cristiano Ronaldo e ele marca dois gols no jogo da Juventus daquela semana, ótimo. Agora, se tem o goleiro Alisson no time e ele deixa passar três gols no Liverpool, aí provavelmente azedou. Ao final de cada torneio, a performance das cinco cartas é somada para chegar à pontuação final.

Os prêmios são pagos em ether, a criptomoeda utilizada no Ethereum, ou em cartas do próprio jogo. 

“Estamos muito animados com a entrada do Atlético, e só começando. Os brasileiros, mesmo sem ter nenhum clube local disponível, já ocupavam o nono lugar em termos jogadores ativos na plataforma e o terceiro lugar em termos de tempo gasto no site (1h32 por dia). Além disso, houve um crescimento de 47% mês a mês desde janeiro de 2021”, diz Nicolas Julia, CEO da Sorare.

“Dentre todos os mercados que atuamos na América Latina (México, Argentina, Brasil e Colômbia), esperamos que o Brasil seja o país que mais adote NFTs de futebol. Queremos que seja uma das cinco principais nações em termos de adoção e, para isso, estamos tentando firmar acordos com lendas do futebol local e toda a Série A do Brasileiro.”

Mercado

Para explicar o mercado, é preciso detalhar um pouco mais o processo de criação das cartas. Elas são desenvolvidas no início de cada temporada, a partir dos contratos de licenciamento com os times, e são divididas em quatro categorias: únicas (1 cópia), super raras (10 cópias), raras (100 cópias) e comuns (grátis e ilimitadas).

O que quer dizer que, se eu tiver uma carta única do atacante Keno da temporada 2020-2021, ninguém vai ter igual (as cartas das temporadas anteriores também podem ser utilizadas). Mas, para ter esse card, é preciso comprá-lo no leilão inicial ou de um dono disposto a vendê-lo. 

A oferta inicial dos cards, que é onde a Sorare e os times ganham dinheiro, começa sempre em 5 euros (cerca de R$ 31). Os jogadores ativos participam, então, de um leilão por tempo limitado, até alguém finalmente arrematar o item em disputa. Neste momento, já é feita a transação do produto no Ethereum.

Somente em 2021, mais de 60 milhões de euros (cerca de R$ 382 milhões de reais) foram transacionados na plataforma. De toda a base de jogadores, pelo menos 20 mil investe dinheiro nos ativos.

Atlético Mineiro

O Atlético mostra, há alguns anos, interesse pelo mundo dos criptoativos. Em 2018, o clube até chegou a lançar sua própria moeda digital, batizada de GaloCoin, mas sem grande conexão com a torcida atleticana à época. Agora, promete investir ainda mais na modalidade.

“Acreditamos que não só os torcedores estão mais preparados, como o clube também. A Sorare é um parceiro consolidado, que já trabalha com grandes clubes globais e está em mais de 140 países, o que nos dá segurança de que o projeto será um grande sucesso”, diz Felipe Ribbe, head de Inovação do clube. 

“E temos outros planos. Vamos leiloar uma obra exclusiva, que representa um momento histórico do clube, a defesa do goleiro Victor na partida contra o Tijuana, pelas quartas de final da Libertadores 2013. Chamamos o Pedro Nuin, artista conhecido por recriar grandes momentos do futebol, e ele fez um quadro digital que será leiloado a partir do dia 10 de maio na plataforma opensea.io.” 

NFT Atlético Mineiro
Obra de Pedro Nuin imortaliza defesa de Victor contra o Tijuana
Foto: Atlético/Divulgação

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