Atraso no empréstimo do BNDES colaborou para recuperação judicial da Latam

Tratativas entre o banco público e a aérea sempre foram mais complicadas, porque a empresa não tem capital aberto no país

Avião da Latam se aproxima para pouso
Avião da Latam se aproxima para pouso Foto: Tania Rego/Agência Brasil

Raquel Landimda CNN

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Dois fatores colaboraram para a inclusão da Latam Brasil no processo de recuperação judicial da companhia aérea já em curso nos Estados Unidos: o prolongamento da pandemia do coronavírus e o atraso no empréstimo prometido pelo BNDES.

Segundo apurou a CNN com fontes envolvidas, as negociações entre o banco público e as empresas Azul e Gol já estão quase concluídas, mas as tratativas com a Latam sempre foram mais complicadas, porque a empresa não tem capital aberto no país.

Fontes ligadas ao processo dizem que as conversas entre BNDES e Latam ainda seguem, mas terão que ser reavaliadas. Com a recuperação judicial, é preciso analisar qual seria a prioridade de pagamento dos recursos aportados pelo banco público quando a companhia se recuperar.

Ao mesmo tempo em que anunciou a inclusão da subsidiária brasileira na recuperação judicial nos EUA, a Latam informou que fechou um acordo de financiamento de US$ 1,3 bilhão com o fundo Oaktree Capital Management.

Esses recursos se somam aos US$ 900 milhões já aplicados pelas famílias controladoras da Latam e pela sócia Quatar Airlines. É bastante provável que esses empréstimos terão preferência em relação a um eventual financiamento do BNDES e de bancos privados brasileiros.

Em comunicado, a Latam Brasil informou que continuará operando normalmente e que tomou a decisão de entrar na recuperação judicial para “ter acesso a novas fontes de financiamento”.  O setor aéreo foi um dos mais atingidos pela pandemia do novo coronavírus.

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