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    Aumento da produção não impede alta de preços dos combustíveis, dizem analistas

    Em evento no México, o ex-presidente Lula citou o aumento de refinarias como opção para frear valorização dos combustíveis

    Guerra na Ucrânia impulsionou os preços das commodities, principalmente do petróleo
    Guerra na Ucrânia impulsionou os preços das commodities, principalmente do petróleo 13/10/2017REUTERS/Regis Duvignau

    CNN Brasil Business

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    Na semana passada, em evento no México, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desaconselhou a compra de estatais públicas brasileiras, enquanto falava da exploração de petróleo no país, porque, caso seu partido ganhasse a eleição, essa venda seria revista.

    “Eu tenho avisado às empresas nas entrevistas: ‘não comprem as empresas públicas brasileiras, porque, se nós vencermos as eleições, nós vamos querer rediscutir. Porque nós não vamos abdicar do patrimônio que foi construído pelo povo brasileiro'”, afirmou o petista, possível pré-candidato à Presidência da República.

    A afirmação do ex-presidente vem no momento de escalada das pressões para a adoção de medidas para conter a alta do preço dos combustíveis  —efeito sentido globalmente devido à pandemia e intensificado recentemente pela invasão russa à Ucrânia.

    Nesse contexto, segundo ele, uma das formas de amenizar o impacto dessa valorização no bolso do brasileiro seria aumentar o número de refinarias no país.

    “O Brasil, que deveria ser exportador de derivado de petróleo, está importando petróleo dos EUA. Tem empresas importando petróleo dolarizado, quando o Brasil é autossuficiente e o petróleo brasileiro poderia ser precificado na nossa moeda. As nossas refinarias estão com produção 30% menor, porque o Brasil não quer produzir mais para consumir gasolina importada, e o povo brasileiro está pagando o preço da gasolina em dólar”, disse.

    Analistas ouvidos pela CNN disseram, no entanto, que aumentar a produção não resolveria o problema.

    “Sujeitar as refinarias a preços artificiais afasta investidores do país. O refino é a atividade menos rentável e mais cara desse mercado. A Petrobras optou por investir mais em produção e distribuição justamente por isso”, diz David Zilberstein, ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

    “Não fizemos mais refinarias até agora justamente porque existe o temor da manipulação de preços. Se o Brasil tiver preço menor do que no mercado internacional, quem vai trazer petróleo para vender mais barato aqui do que no mercado internacional?”, diz.

    O especialista explica que o Brasil é autossuficiente em petróleo, mas não em derivados do produto. Por isso, a Petrobras atende 80% do mercado, os outros 20% vêm de fora para atender o mercado interno.

    Ou seja, caso as refinarias começassem a cobrar menos pelo produto, as chances de haver uma escassez seriam maiores. “Iria faltar combustível. Um petróleo é diferente do outro, o problema maior é que a gente não tem competição aqui, o que prejudica a transparência e afasta investidores”, diz.

    O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e ex-diretor da Petrobras, Eberaldo de Almeida, afirmou nesta terça-feira (8), em entrevista à Agência Estado, que o congelamento de preços dos combustíveis como diesel e gasolina no país teria um impacto de até R$ 200 bilhões ao longo deste ano. O cenário também provocaria desabastecimento no país, segundo a instituição.

    O governo do presidente Jair Bolsonaro discute um subsídio direto para compensar a diferença com os preços internacionais. Mas, para o especialista, a única saída para não desorganizar o mercado e afastar investimentos no setor seria atuar com um subsídio localizado naqueles mais necessitados “Não tem varinha mágica”, afirmou.

    “O governo Dilma tentou interferir no preço dos combustíveis e levou a Petrobras a ser a petrolífera mais endividada no mundo”, acrescenta  Mauro Rochlin, economista e professor da Fundação Getulio Vargas – FGV.

     

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