Guedes e Campos Neto apoiam autonomia do BC em encontro com relator do texto

Proposta foi aprovada pelo Senado no ano passado e agora é a vez da Câmara

Sede do Banco Central, em Brasília (29.out.2020)
Sede do Banco Central, em Brasília (29.out.2020) Foto: Adriano Machado/Reuters

Basília Rodriguesda CNN

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A autonomia do Banco Central volta à pauta de Brasília nesta semana como o primeiro teste do novo presidente da Câmara, Arthur Lira e a articulação do governo na votação de textos da agenda econômica.

O ministro da Economia, Paulo Guedes e o presidente do BC, Roberto Campos Neto apoiaram o texto do relator do texto, Silvio Costa Filho (Republicanos), em café, nesta manhã, uma vez que não houve alteração da versão aprovada no ano passado, no Senado.

“Foram mantidos os pilares do texto. Agora é intensificar negociação com líderes nas próximas 48 horas para aprovar o texto até quarta-feira”, afirmou o deputado à CNN.

Haverá novo encontro de Guedes, Campos Neto e Costa ainda hoje, dessa vez com a presença de Lira.

Pelo texto, o BC passa a ter novas competências como estímulo ao emprego e renda no país. “É preciso avançar neste ponto”, afirmou o relator.À coluna, o deputado afirmou que a aprovação será um sinal importante para o mercado.

 

“Marca um novo padrão de diálogo com o governo federal porque o Brasil é um dos poucos países desenvolvidos do mundo que ainda não tem a autonomia do Banco Central”.

A autonomia, como o nome diz, desvincula o banco do governo. O BC passaria a ter mandatos fixos de quatro anos para o presidente e os diretores da instituição. Na avaliação de técnicos da equipe econômica, com quem a CNN conversou, isso deixaria o governo livre de críticas que já recaíram sobre governos passados, como tentar usar medidas da política fiscal, a exemplo de determinar a quantidade de moeda em circulação, a oferta de crédito e as taxas de juros para obter ganho político.

Para os críticos do texto, no entanto, o banco ficaria mais exposto às pressões do mercado e instituições financeiras.

A aprovação da autonomia do Banco Central abre caminho para criação de outro ministério. A classe política está de olho para onde vão os cargos de indicação política que deixam de ser do BC. No cálculo político, ao retirar o status de ministério do banco, o governo abre uma vaga entre as 23 pastas para colocar outra no lugar, como a recriação do Ministério de Segurança Pública, afirmam deputados que defendem a volta da pasta.

 

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