Balanços do 1° trimestre surpreendem positivamente e deixam mercado otimista

Lucro das empresas de capital aberto cresceu 245% entre janeiro e março deste ano

Foto: NurPhoto/Getty Images

Leonardo Guimarães,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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A temporada de balanços do primeiro trimestre chegou ao fim nesta segunda-feira, depois que a Rede D’Or (RDOR3) divulgou seus resultados ao mercado. Sempre muito importantes para o mercado, os balanços surpreenderam positivamente e deixaram os investidores otimistas com o futuro das empresas de capital aberto. 

Desde o início dos anúncios de resultados, em 23 de abril, o Ibovespa mostrou tendência de alta e cresceu 2% enquanto as empresas mostravam seus números. 

É claro que o mercado acionário reflete também fatores políticos e até sanitários, mas os especialistas garantem que a tendência de alta do Ibovespa é fortemente influenciada pelos bons resultados do primeiro trimestre. 

“O primeiro trimestre trouxe otimismo com as grandes empresas apresentando um resultado acima das expectativas do mercado”, afirma Rafael Panoko, analista chefe da Toro Investimentos. 

Um levantamento feito pela Economatica mostrou que o lucro das empresas de capital aberto cresceu 245% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período no ano passado. Vale (VALE3) e Suzano (SUZB3) ficaram de fora do levantamento porque seus dados “acabam distorcendo a amostra”, disse a empresa. O lucro da Vale foi o maior da história para uma empresa brasileira de capital aberto entre janeiro e março. Empresas que apresentaram resultados nesta segunda, como a Rede D’Or, também ficaram de fora. Ao todo, foram compilados dados de 268 empresas não financeiras. 

Em relatório, a XP mostrou que as empresas sob sua cobertura superaram em 3,1% as projeções para receita, enquanto as estimativas para o lucro operacional (Ebitda) foram superadas em 10,6%. Considerando somente as empresas que estão no Ibovespa, a XP disse que as projeções para receita e lucro operacional foram superadas em 3,7% e 8,9%, respectivamente. 

“Várias empresas se mostraram resilientes em meio ao cenário doméstico com restrições de mobilidade, enquanto empresas com exposição à forte recuperação econômica global continuaram a se destacar”, disseram, em relatório, Jennie Li, estrategista de ações, e Fernando Ferreira, estrategista chefe e head de Research da XP.

Surpresas positivas

Mineração e siderurgia foram, de longe, os setores que mais agradaram o mercado. Com o preço do minério de ferro nas alturas e o dólar em alta durante o primeiro trimestre, os resultados de Vale, Usminas (USIM5), CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4) ficaram acima das expectativas dos analistas, com a Vale alcançando o maior lucro da história para o período –R$ 30,5 bilhões. 

Para Rafael Panoko, o setor de shoppings também foi uma surpresa positiva à medida que as empresas conseguiram controlar a vacância nesses estabelecimentos. 

Queridinha dos investidores, a Iguatemi (IGTA3) mais que triplicou seu lucro do primeiro trimestre com uma forte redução das despesas financeiras e do volume de impostos. Já a BrMalls (BRML3), que na visão de Panoko está descontada no mercado acionário, apresentou resultado muito surpreendente ao conseguir controlar a inadimplência dos lojistas. A recomendação da Toro para o papel é de compra.

Outro setor de boa performance foi o de alimentos e bebidas. A Marfrig (MRFG3) teve o melhor primeiro trimestre de sua história, quando reverteu prejuízo de R$ 137 milhões para lucro de R$ 279 milhões, beneficiada pela recuperação econômica dos Estados Unidos e um dólar forte. 

A maior surpresa, no entanto, veio com o resultado da Ambev (ABEV3). Mesmo sem Carnaval e com bares e restaurantes fechados ou funcionando em horário reduzido, o volume de bebidas vendidas cresceu 11,6%, e o lucro de R$ 2,7 bilhões foi 125% maior que o anotado no primeiro trimestre do ano passado. 

No varejo, as empresas que operam e-commerces e marketplaces tiveram bons resultados. “O Magazine Luiza (MGLU3) teve crescimento nas vendas em lojas físicas acima do esperado, mesmo com as restrições, e conseguiu manter as margens”, destaca Rafael Panoko. 

Surpresas negativas

Olhando para os setores que apresentaram resultados negativos, um dos destaques é o segmento de seguros. Os resultados da SulAmérica (SULA11) vieram abaixo do esperado pelo mercado depois que a empresa sofreu com o alto número de óbitos, o que impactou o segmento de seguros de vida. BB Seguridade (BBSE3) também decepcionou, impactado pelo patamar da taxa básica de juros (Selic).

No setor de saúde, a NotreDame Intermédica (GNDI3) reverteu lucro e reportou prejuízo de R$ 27,9 milhões à medida que tratamentos e procedimentos eletivos não foram adiados, o que pressionou as margens da empresa. 

O setor de educação continua sendo pressionado e apresentado resultados fracos. Aqui, há uma diferença: os resultados ruins já eram esperados pelo mercado. A Yduqs (YDUQ3) reportou uma queda de 74% no lucro líquido e gerou receitas em patamares menores que o esperado. Mesmo assim, a empresa é bem vista no setor. “Educação passa por um momento complicado devido à pandemia, mas Yduqs é a nossa preferência no setor por causa da atração de alunos no ensino à distância”, analisa Panoko.

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