Bares e restaurantes pedem volta à fase laranja em SP aos finais de semana

Associação discorda da decisão do governo de fechar estabelecimentos na fase vermelha e esperam mais demissões

André Jankavski,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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A decisão do governo do Estado de São Paulo de endurecer a quarentena nas noites dos dias úteis e aos sábados e domingos não foi bem vista pelo setor de bares e restaurantes. Muito pelo contrário. O setor estima que a decisão deve aumentar o número de demissões no setor, que é um dos mais atingidos pela pandemia. Por isso, pedem mudanças nas regras anunciadas nesta sexta-feira (22).

Sylvio Lazzarini, dono do restaurante Varanda Grill e vice-presidente do Sindresbar, sindicato de bares e restaurantes, afirma que a decisão do governo de São Paulo deveria ter sido mais debatida. Em sua visão, seria fundamental para o setor ser liberado para funcionar na fase laranja. 

“Pedimos a manutenção da fase laranja, pelo menos para os fins de semana. Se não, o que vai acontecer é que as pessoas vão descer para a Praia Grande (município do litoral paulista) e se aglomerar por lá”, diz Lazzarini.

O empresário diz ter conversado com João Gabbardo, coordenador-executivo do Centro de Contingência de Combate ao Covid-19 de São Paulo, e que pediu para que o índice de ocupação de leitos de UTIs da fase laranja voltasse a ser de 75%. Desde o início do mês, o percentual é de 70%.

Na visão dele, bares e restaurantes trazem mais segurança para as pessoas do que outros tipos de lazer, como praias, que costumam gerar aglomeração.

“Uma Ford por semana”

A Abrasel acredita que os números de demissões não vão parar de aumentar.

“Estamos perdendo uma Ford por semana com demissões em todo o Brasil”, diz Percival Maricato, presidente da Abrasel-SP, em alusão ao encerramento da produção da montadora americana anunciado em janeiro. O fechamento das fábricas da Ford deve gerar até 10 mil demissões de funcionários diretos e indiretos.

Segundo dados da Abrasel, 2,4 mil empregos são perdidos por dia no estado de São Paulo. A associação leva em conta o fechamento de 300 estabelecimentos por dia que possuem, em média, dois sócios e seis colaboradores. Desde o início da pandemia até agora, cerca de 30% dos bares e restaurantes fecharam as portas, de acordo com a associação – 50 mil no estado de São Paulo e 12 mil na capital. 

A Abrasel afirma que está em contato constante com a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen, para pleitear mudanças.

“O que ela diz, no entanto, é que o governo obedece ao centro de contingência. Sei que eles são uma porção de médicos renomados, mas talvez não tenham uma visão tão global da sociedade”, diz Maricato.

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