BB: conselho confirma plano de demissões e reitera governança corporativa

Em reunião, o conselho de administração também quis deixar claro que a estatal não está sofrendo pressões políticas

Prédio da sede do Banco do Brasil
Prédio da sede do Banco do Brasil Foto: Adriano Machado/Reuters

Juliana Faddul,

colaboração para o CNN Brasil Business, em São Paulo

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As especulações de que o programa de demissões no Banco do Brasil (BBAS3) pudesse ser revertido e que o presidente André Brandão seria demitido acabaram. Pelo menos por agora. O conselho de administração do banco votou na continuidade do plano de demissão voluntário e reafirmaram Brandão no cargo de CEO. A decisão foi tomada em reunião extraordinária realizada na quinta-feira (21). 

Na ata, o banco alega que o programa foi aprovado em 2019 e “transitado, inclusive, pela Secretaria de Coordenação e Governança das Estatais (Sest) do Ministério da Economia.”

O documento foi assinado pelos membros do colegiado: o presidente do conselho Hélio Magalhães, o próprio André Brandão, Débora Cristina Fonseca, Fabio Barbosa, José Guimarães Monforte, Luiz Serafim Spinola e Paulo Roberto Evangelista de Lima. Waldery Rodrigues Júnior, secretário especial da Fazenda do atual governo, também assinou. 

Na reunião, o conselho de administração também invocou a Lei das Sociedades por Ações relembrando “seu compromisso com as melhores práticas de governança corporativa.” Em outras palavras, o conselho quis dar o recado de que o banco não está sofrendo pressões políticas. 

Essa manifestação, no entanto, foi assinada por apenas cinco membros. Brandão, Waldery e Débora Fonseca, representante dos funcionários, se abstiveram. 

Além das demissões, está incluso no programa o fechamento de 361 unidades (sendo 112 agências bancárias). A entidade alega que a medida pode gerar uma economia de R$ 353 milhões em 2021 e um total de R$ 2,7 bilhões até 2025. 

No entanto, os investidores ainda não compraram a versão do conselho nesta sexta-feira. As estavam valendo R$ 33,77, queda de 1,2% em relação ao dia anterior. Esse valor é cerca de 15% menor ao registrado antes da crise com o presidente Jair Bolsonaro.

Bolsonaro x Brandão 

O burburinho sobre uma possível saída de André Brandão do cargo começou em Brasília. 

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o ministro da economia, Paulo Guedes, tinham como certo o nome de Brandão, graças à sua experiência no setor privado. O executivo veio do banco HSBC, local em que trabalhava desde 2003 e a sua última posição foi de chefe global da instituição para as Américas.

A dupla alegou que seria visto com bons olhos pelo mercado, principalmente numa época que o Ministério da Economia sofria com importantes baixas, como a de Mansueto de Almeida, ex-secretário do Tesouro Nacional. O problema? Bolsonaro não havia sido consultado –apenas notificado. 

A divulgação do programa de demissões, sem o aval final de Bolsonaro, fez com que antigas feridas abrissem novamente. Embora ele estivesse ciente da programa de demissões, sentiu que não havia sido consultado novamente. O anúncio público desencadeou uma enxurrada de ligações e mensagens de WhatsApp de prefeitos e parlamentares – em sua maioria do centrão- questionando o fechamento das agências. 

O fato do anúncio do programa de desligamento voluntário (proposto para até 5 mil pessoas) ter sido feito no dia 11 deste mês –mesmo dia que a Ford anunciou o fechamento de três fábricas aqui no Brasil – não contribuiu em nada para amenizar o desgaste. 

Se essa novela termina por aqui, só o tempo dirá.

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