BB fecha acordos bilionários para reduzir emissão de gases de efeito estufa

Acordos de empréstimo foram assinadas nesta sexta-feira (20) com o Banco Mundial e com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), e preveem aportes de cerca de R$ 2,95 bilhões no total

Na cotação atual, as parcerias correspondem a empréstimos de cerca de R$ 2,95 bilhões
Na cotação atual, as parcerias correspondem a empréstimos de cerca de R$ 2,95 bilhões Towfiqu barbhuiya/Unsplash

Iuri Corsinida CNN

no Rio de Janeiro

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O Banco do Brasil fechou, nesta sexta-feira (20), dois acordos internacionais que serão destinados a projetos socioambientais para investir na economia verde no país.

A primeira parceria foi firmada com o Banco Mundial, no valor de US$ 500 milhões, para promover a redução de emissão de gases de efeito estufa.

Em seguida, foi assinado um memorando de entendimento (espécie de pré-contrato) com Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), no valor de 100 milhões de euros.

A assinatura dos acordos aconteceu durante o congresso Mercado Global de Carbono, realizado no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Na cotação atual, as parcerias correspondem a empréstimos de cerca de R$ 2,95 bilhões.

A possibilidade destes acordos serem fechados já havia sido sinalizada pelo presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade Ribeiro, na quarta-feira (18), durante a abertura do congresso.

Ao assinar as parcerias, Fausto comemorou o que ele diz ser mais um passo na direção de uma transição ambiental no país.

“Estamos captando esses valores para podermos acelerar todo o processo de transformação da economia brasileira em uma economia mais limpa. Serão beneficiados o setor do agro, da indústria, micro e pequenas empresas e toda a sociedade em geral. Temos que celebrar esse passo muito importante dado”, pontuou.

Entre os diretores presentes que assinaram junto a Fausto o memorando, estava o diretor-adjunto da AFD, Lamine Sow, que comentou sobre as expectativas da parceria firmada.

“Com esse novo acordo, poderemos alavancar mais financiamentos sustentáveis. Estou convencido de que essa cooperação vai ser muito frutífera para nós e para o Brasil nos próximos meses e anos”, disse.

Detalhes dos empréstimos

Em relação ao acordo assinado com o Banco Mundial, o memorando prevê um prazo de pagamento de até 20 anos “com o objetivo de promover a redução da emissão e a remoção de gases de efeito estufa (GEE) ao incentivar uma participação maior do setor privado nos mercados de crédito de carbono”, disse o banco.

Ainda de acordo com o Banco, a previsão é que, dos US$ 500 milhões, US$ 400 milhões sejam destinados para linhas de crédito e US$ 94 milhões para a criação de um fundo de dívida climática.

“Outros US$ 6 milhões poderão ser destinados para assistência técnica a projetos de geração de créditos de carbono em mecanismos de monitoramento, reporte e verificação (MRV) e ao desenvolvimento de uma plataforma para monetização e comercialização de créditos de carbono”, informou, em nota, o Banco do Brasil

Já o memorando de entendimento assinado com a AFD, no valor de 100 milhões de euros, o objetivo é apoiar o envolvimento do Banco do Brasil com as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs na sigla em inglês).

Essa participação na NDC engloba compromissos voluntários que cada país signatário do Acordo de Paris assumiu, na intenção de colaborar com a meta global de redução de emissões de gases do efeito estufa (GEE).

“Na prática, as contribuições do BB para o atingimento das NDCs se darão com a expansão da oferta de linhas de financiamento a projetos no setor de energia renovável, tecnologias já consagradas na redução de emissões de GEE. Além disso, estão previstas parcerias que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável a inclusão social no setor público brasileiro, no desenvolvimento de programas e de novas soluções financeiras de interesse do BB”, explicou o BB.

Não foram detalhadas as condições para este empréstimo junto a AFD.

Decreto de carbono

Ainda no congresso, nesta sexta-feira, o ministro Joaquim Leite, do Meio Ambiente, falou sobre o decreto publicado em edição extra nesta quinta-feira (19), no Diário Oficial da União. Segundo ele, o decreto faz “nascer o mercado nacional de crédito de carbono com toda a inovação”.

Leite destacou que, além do crédito de carbono, o decreto prevê também o crédito de metano, além de uma central única de registro de emissões (ou reduções) de créditos de carbono, bem como de transações de créditos.

O ministro pontuou que vai alinhar com o Congresso Nacional uma lei para que o decreto possa “trazer oportunidade a todos”.

“Você pode registrar o carbono de vegetação nativa de cada bioma. Além disso, o carbono do solo também. Você vai poder registrar nessa central única a fixação do carbono do solo durante o processo produtivo da agricultura. É um decreto bastante moderno. Vamos alinhar com o Congresso para que venha uma lei nessa mesma direção que traga oportunidades a todos, inclusive ao agronegócio, e para a indústria também”, explicou, dizendo ainda que o Brasil será um dos maiores exportadores de carbono do mundo”.

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