Após dia volátil, Bolsa cai mais de 1%, com temor sobre possível saída de Moro

Dados de auxílio-desemprego nos EUA e racha no governo brasileiro estiveram sob os holofotes neste pregão

Dia de pregão na bolsa de valores de São Paulo (09.Mai.2016)
Dia de pregão na bolsa de valores de São Paulo (09.Mai.2016) Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Do CNN Business*, em São Paulo

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Após passar boa parte do pregão no azul, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, terminou no campo negativo nesta quinta-feira (23). O humor dos investidores azedou após a notícia de que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, avalia pedir demissão após decisão do presidente Jair Bolsonaro de trocar a diretoria-geral da Polícia Federal (PF).

O Ibovespa caiu 1,26%, a 79.673,39 pontos, após ter fechado na véspera no maior nível em quase três semanas, acima dos 80 mil pontos. O giro financeiro da sessão somou R$ 24,7 bilhões. Na máxima, chegou aos 81.933 pontos e, na mínima, aos 78.692 pontos. Entre as principais desvalorizações desta quinta, estão os papéis de IRB, Hypermercas e CVC que caíram 8,50%, 8,46% e 6,26%, respectivamente. 

Participantes do mercado entendem que uma saída de Moro pode gerar mais tensões políticas dentro do governo e piorar a avaliação do próprio presidente. Moro está entre os ministros mais bem avaliados pela população. “A bolsa perdeu mais de mil pontos em segundos”, disse Henrique Esteter, analista de research e equity sales na Guide Investimentos.

Após ter chegado a flertar com os 82 mil pontos no começo da sessão, estendendo o rali da véspera, o Ibovespa perdeu força, mirando os mercados externos. O deslize ganhou impulso com o esvaziamento da empolgação sobre uma recuperação da crise do novo coronavírus.

Para Fábio Galdino, chefe de renda variável da Vero Investimentos, pesa também fato de que o otimismo com o afrouxamento de medidas de isolamento social foi freado após declarações do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de que e regiões do Estado que tiverem baixa taxa de adesão ao isolamento social devem ficar fora do plano de flexibilização.

Ações de algumas varejistas passaram a cair durante a tarde, após desempenho forte na véspera. O setor é o mais beneficiado pelo fim de orientações de isolamento social, de acordo com analistas da XP Investimentos.

O mercado também observou dados econômicos do exterior. Cerca de 4,4 milhões de pessoas solicitaram auxílio-desemprego nos Estados Unidos, número pouco acima da previsão de pesquisa da Reuters, mas que mostra uma desaceleração no movimento.

Também chamou atenção a queda na atividade industrial dos EUA, com o PMI preliminar despencando a 36,9, nível mais fraco desde março de 2009, ante 48,5 em março. Economistas esperavam recuo para 38,0 em abril.

Medidas de estímulo 

No radar dos investidores estiveram outras possíveis medidas para recuperar a economia brasileira do impacto da pandemia do coronavírus, como o plano Pró-Brasil, gestado pela Casa-Civil, que propõe um aumento nos investimentos públicos. O projeto aborda linha diferente da defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que defende investimentos privados no processo de retomada.

O Pró-Brasil teve suas diretrizes básicas apresentadas na quarta-feira (22) em uma reunião ministerial no Palácio do Planalto da qual Guedes participou rapidamente. Depois, parte do plano, sem números, foi divulgada em uma entrevista pelo ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, que vem coordenando a iniciativa, sem participação da equipe econômica. 

Apesar disso, a recessão do Brasil este ano é iminente, com pesquisa da Reuters prevendo recuo de 2,5% no Produto Interno Bruto (PIB) este ano, de acordo com a mediana das estimativas em uma pesquisa realizada com 45 analistas.  

A sinalização do ministro da Saúde, Nelson Teich, para o fim do isolamento social também chamou a atenção de agentes do mercado. Teich não detalhou o cronograma para o movimento, mas disse que o governo atuará em cada região do país da forma que considerar mais adequada para a área.

Lá fora

Nos Estados Unidos, o S&P 500 encerrou o dia em pequena queda nesta quinta-feira, após um relato de que um medicamento antiviral experimental para o coronavírus havia fracassado em seu primeiro ensaio clínico científico, diminuindo o otimismo anterior de que o impacto do vírus no mercado de trabalho estava próximo de um fim.

No fim do pregão em Wall Street, o S&P 500 perdeu 0,05%, para 2.797,8 pontos, o Dow Jones subiu 0,17%, para 23.515,26 pontos, e o Nasdaq recuou 0,01%, para 8.494,75 pontos.

Na zona do euro, uma alta nas ações de energia e bancos elevou as bolsas de valores europeias, com os investidores contando com mais estímulos para reanimar a economia do bloco depois que os bloqueios causados pelo coronavírus interromperam a atividade em abril.

O índice FTSEurofirst 300 subiu 0,85%, a 1.307 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 0,94%, a 333 pontos, recuperando-se pelo segundo dia consecutivo diante da alta dos preços do petróleo após um colapso no início da semana.

Na China, mesmo depois de um pronunciamento do presidente Xi Jinping declarando que vai impulsionar investimentos estatais, as ações terminaram o dia em baixa nesta quinta-feira (23), sob a forte pressão da incerteza econômica desencadeada pela pandemia de coronavírus no país. 

Entre os setores que devem receber mais verba, de acordo com o presidente chinês, estão os mercados de 5G, inteligência artificial e transporte e energia. Outra preocupação do governo, segundo ele, é impulsionar o emprego para a retomada econômica pós-pandemia. Em Pequim, a prioridade será empregar recém-formados na faculdade, trabalhadores imigrantes e veteranos aposentados.

*Com informações da Reuters

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