Bolsa tem queda de mais de 5% em dia de correção com aversão a risco no exterior

Na semana, porém, o Ibovespa acumula alta de 9,48%, apoiado em recuperações técnicas e esforço global para conter os efeitos do Covid-19

Trader fotografa o telão da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3 (21.mar.2019)
Trader fotografa o telão da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3 (21.mar.2019) Foto: Nacho Doce/Reuters

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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O Ibovespa fechou em queda de mais de 5% nesta sexta-feira (27), com a aversão a risco no exterior corroborando um ajuste após três pregões de alta, conforme os mercados permanecem voláteis no mundo em razão da pandemia do novo coronavírus. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 5,51%, a 73.428,78 pontos, após oscilar da mínima de 73.057,12 pontos à máxima de 77.707,88 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$ 23,36 bilhões. 

Na semana, contudo, o Ibovespa acumulou alta de 9,48%, apoiado em recuperações técnicas e esforço global para conter os efeitos do Covid-19. O ganho quebrou uma série de cinco semanas negativas, com perdas totais de mais de cerca de 40% no período. Apesar da melhora, a queda em 2020 é de cerca de 36%.

De acordo com o analista Rafael Ribeiro, da Clear Corretora, o Ibovespa tem como grande desafio para a próxima semana romper a faixa de 83 mil pontos “para de fato engatilhar uma recuperação consistente”.

Incertezas persistentes sobre os reflexos da disseminação do vírus, conforme o ritmo de contágio não mostra sinais de arrefecimento, contudo, mantêm investidores melindrados, mesmo após esforços globais para atenuar os efeitos nas economias, incluindo um pacote de US$ 2 trilhões apenas nos EUA.

“As medidas que estão sendo anunciadas oferecem um alívio principalmente no curto prazo, mas o efeito da pandemia no médio e longo prazos ninguém sabe ainda”, afirmou João Ferreira, diretor e sócio na corretora Nova Futura.

A pandemia do Covid-19 já infectou mais de meio milhão de pessoas em todo o mundo e matou quase 25 mil. A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou que países do mundo inteiro devem responder com “adoção bastante massiva” de recursos para conter danos sem precedentes da pandemia e estabelecer bases para uma forte recuperação.

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estimou que cada mês que as principais economias passam em confinamento diminuirá em 2 pontos percentuais o crescimento anual.

“O que está sendo discutido entre governos e especialistas em saúde é o prazo que deve durar a quarentena”, destacaram os analistas Fernando Bresciani e Pedro Galdi, da corretora Mirae Asset, acrescentando que a “decisão para este tema vai sinalizar se o mundo caminha para uma retomada em ‘V’, ‘U’ ou ‘L'”.

No Brasil, em meio a uma série de ações fiscais e monetárias do governo para amenizar os efeitos do vírus no país, o ministro da Economia, Paulo Guedes, fez um apelo nesta sexta-feira para que a crise com o coronavírus não desorganize a economia brasileira.

O número de mortes em decorrência do novo coronavírus no Brasil avançou para 92 nesta sexta-feira, um aumento de 15 óbitos, ou cerca de 19%, em relação à véspera, informou o Ministério da Saúde. Os casos confirmados de Covid-19 no país atingiram 3.417, alta de 502 no dia.

*Com Reutes

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