Bolsas da Europa fecham em alta, impulsionadas por bom humor em NY

FMI aumentou sua previsão para o crescimento do PIB agregado dos países europeus desenvolvidos em 2021

Índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 0,32%, aos 470,07 pontos
Índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 0,32%, aos 470,07 pontos REUTERS/Flavio Lo Scalzo

Estadão Conteúdo

Gabriel Caldeira, do Estadão Conteúdo

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As bolsas europeias fecharam em alta nesta quarta-feira (20) após um pregão volátil que terminou positivo diante do bom humor em Nova York por conta da temporada de balanços nos Estados Unidos.

Mais cedo, o apetite por risco de investidores no Velho Continente foi contido diante das leituras fortes de inflação ao produtor na Alemanha e ao consumidor na zona do euro. O índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 0,32%, aos 470,07 pontos.

A temporada de balanços voltou a dar tração às bolsas mundo afora. Nesta quarta, a Verizon reportou resultados trimestrais melhores que o esperado, assim como fizeram Netflix e United Airlines, após o fechamento dos mercados na terça-feira (19). Na Europa, a Nestlé subiu 2,66% na Bolsa de Zurique, após elevar o seu guidance para 2021 por conta dos preços mais altos de seus produtos.

Mais cedo, o mercado acionário do Velho Continente chegou a operar misto, pressionados pelos avanços anuais de 3,4% no índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro em setembro, e de 14,2% índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da Alemanha no mesmo mês.

Também saiu o CPI do Reino Unido, que desacelerou no mês passado ante a variação mensal de agosto.

O salto na inflação europeia, porém, deve desacelerar no ano que vem, segundo o diretor do Departamento de Europa do Fundo Monetário Internacional (FMI), Alfred Kammer.

O FMI aumentou nesta quarta sua previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) agregado dos países europeus desenvolvidos em 2021, de 4,9% a 5,2%. Já a estimativa para os emergentes da região subiu 1,1 ponto porcentual, a 6%.

Outro assunto acompanhado por investidores foi a renúncia do presidente do Bundesbank (o BC alemaão), Jens Weidmann, que deixará o cargo ao fim deste ano. Por consequência, ele também sairá de seus postos no Banco Central Europeu (BCE) e no Banco para Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês).

Weidmann é um dos poucos membros do conselho do BCE de inclinação hawkish – ou seja, conservadora em termos de estímulos à economia. Presidente da autoridade monetária europeia, Christine Lagarde disse lamentar a saída de Weidmann que, em comunicado sobre sua renúncia, alertou para “perigos inflacionários” na região.

A Capital Economics estima que o substituto de Weidmann não deve provocar grandes alterações na política monetária do Bundesbank, mas deve ser mais inclinado à ala dovish do BCE e favorável às políticas de mitigação da crise climática.

Em Londres, a ação da IAG voltou a fechar na maior baixa diária do FTSE 100, que avançou 0,08%, aos 7.223,10 pontos. No Reino Unido, crescem os temores de uma nova severa de casos de Covid-19, após as autoridades locais identificarem uma mutação da variante delta do coronavírus.

Outro movimento que se repetiu nesta quarta-feira, em relação ao pregão de terça, foi o apoio de ações do setor de energia às bolsas europeias, após o petróleo se recuperar no mercado futuro com a queda inesperada dos estoques americanos da commodity.

Entre os destaques, a Siemens Energy subiu 1,33%, ajudando o índice DAX, de Frankfurt, a fechar em alta de 0,05%, aos 15.522,92 pontos. Já a Engie ganhou 1,56% em Paris, e o CAC 40 terminou o dia com avanço de 0,54%, aos 6.705,61 pontos.

Em Milão, a ação da Enel valorizou 1,82%, e o FTSE MIB terminou o dia com avanço de 0,94%, aos 26.581,77 pontos.

Por fim, entre os índices europeus, o madrilenho IBEX 35 subiu 0,24%, aos 9.017,90 pontos, e o PSI 20, de Lisboa, acumulou alta de 1,61%, aos 5.762,20 pontos.

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