Bradesco BBI corta recomendação de Petrobras para ‘neutra’

Caminhoneiros têm pressionado o governo com queixas sobre os preços do diesel, inclusive com uma ameaça de greve neste mês, que acabou tendo pouca adesão

Fachada da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro (16.Out.2019)
Fachada da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro (16.Out.2019) Foto: Sergio Moraes/ Reuters

Paula Arend Laier,

da Reuters

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Analistas do Bradesco BBI cortaram a recomendação das ações da Petrobras para ‘neutra’, bem como o preço-alvo para R$ 34, 00 por papel, citando riscos relacionados à situação dos caminhoneiros no Brasil. No caso dos ADRs, o preço-alvo passou para US$ 13,00.

“Embora a Petrobras controle o ‘timing’ de seus ajustes de preço do diesel, a situação com os motoristas de caminhão nos faz acreditar que esse ‘timing’ poderia não estar de acordo com as expectativas dos acionistas”, afirmaram Vicente Falanga e Gustavo Sadka em relatório a clientes no domingo.

Eles estimam que os preços do diesel vendido pela Petrobras devem ficar na faixa de R$ 2,12 a R$ 2,30 por litro nos próximos meses, muito perto dos níveis anteriores à greve dos caminhoneiros em 2018. Na última semana de janeiro, a companhia elevou o preço a R$ 2,12 por litro.

Com o Brent em US$ 59 o barril e o spread do diesel em US$ 10 por barril, os analistas calculam que a paridade exigiria um preço ao redor de R$ 2,47. Considerando o preço atual, eles estimam que a Petrobras deixaria “na mesa” anualmente US$ 1,7 bilhão em fluxo de caixa do acionista.

Caminhoneiros têm pressionado o governo com queixas sobre os preços do diesel e outras demandas, inclusive com uma ameaça de greve neste mês, que acabou tendo pouca adesão.

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro adicionou ruído no mercado ao prometer para a sexta-feira um anúncio sobre combustíveis, que, no final, se tratou de proposta sendo preparada pelo governo para mudar a cobrança do ICMS, imposto estadual, sobre os combustíveis.

Bolsonaro também reafirmou na sexta-feira (5), que não interfere e que não pretende interferir na política de preços da Petrobras, declaração que foi endossada pelo presidente-executivo da petrolífera de controle estatal, o que repercutiu positivamente na ações.

Os papéis, porém, perderam fôlego após a Reuters noticiar que a empresa ampliou de três meses para um ano o prazo em que calcula a paridade internacional de preços dos combustíveis, informação que foi confirmada pela companhia após o fechamento do mercado.

Na sexta-feira (5), Petrobras PN chegou a recuar 1,7% no pior momento, depois de avançar 4,4% na máxima do dia. Fecharam em alta de 0,69%.

“Também tememos que esta situação desconfortável possa atrasar o processo de venda das refinarias e, portanto, dividendos futuros que são fundamentais para os investidores”, acrescentaram os analistas do Bradesco BBI.

Nesse sentido, a Petrobras informou mais cedo nesta segunda-feira que o Mubadala Capital foi o vencedor no processo competitivo para a venda de sua Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, com uma oferta de 1,65 bilhão de dólares.

Além do ‘downgrade’, Falanga e Sadka também reduziram a estimativa para lucro da companhia em 2021 em 8% e os dividendos em 2022 em cerca de US$ 400 milhões (ao redor de 6%).

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