Brasil busca negócios com projetos de produção de petróleo de baixa emissão

Os campos empregarão tecnologia de baixo carbono que pode ajudar as grandes petroleiras a atender à demanda global por menos emissões de gases do efeito estufa

O surto do novo coronavírus causou o maior choque na demanda de petróleo desde a crise financeira de 2008
O surto do novo coronavírus causou o maior choque na demanda de petróleo desde a crise financeira de 2008 Foto: Christian Hartmann / Reuters

Por Sabrina Valle e Marianna Parraga em Houston, da Reuters

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 A pressão mundial por corte de carbono e redução do aquecimento global podem gerar mais negócios para o setor de petróleo, com tecnologia de extração de baixa emissão no Brasil, disse à Reuters o diretor executivo de Exploração e Produção da Petrobras, Fernando Borges.

O executivo está em Houston para o importante congresso de petróleo em mar Offshore Technology Conference (OTC), onde a companhia busca parceiros para desenvolver campos em águas profundas que serão leiloados no final do ano.

Os campos empregarão tecnologia de baixo carbono que pode ajudar as grandes petroleiras a atender à demanda global por menos emissões de gases do efeito estufa embora ainda produzindo petróleo, disse.

O Ministério de Minas e Energia do Brasil e a Petrobras agendaram reuniões com Exxon, TotalEnergies e Ecopetrol, conforme a Reuters apurou. BP e Chevron também foram convidadas para discussões, disseram fontes próximas às negociações.

“Projetos que emitem menos CO2 serão os últimos a ir”, disse Borges à Reuters no domingo, no início da primeira OTC em mais de dois anos. “Esse ambiente tornou nossos novos projetos mais atraentes.”

A conferência deste ano, uma versão reduzida devido ao aumento das hospitalizações por coronavírus, viu pelo menos uma empresa retirar sua equipe do evento.

O Brasil está propondo empreendimentos projetados para operar com eficiência de carbono, em plataformas movidas a eletricidade de fontes menos poluentes que fósseis. A iniciativa pode reduzir as emissões de plataformas em cerca de 20%.

O executivo pontuou ainda que investimentos em poços de maior volume e que produzem petróleo com menor teor de enxofre, como é possível nos campos do pré-sal brasileiro, poderiam ajudar as grandes petroleiras a produzir um combustível mais limpo, disse Borges.

Petrobras eleva meta de produção

As decisões finais de investimento garantidas em seus campos marítimos permitirão à Petrobras aumentar sua meta de produção em seu próximo plano de negócios quinquenal, disse Borges.

A meta de produção será divulgada ainda neste ano.

A Petrobras, que responde por mais de dois terços da produção brasileira, bombeia cerca de 2,7 milhões de barris de óleo e gás por dia (boed) e tem como atual meta 3,3 milhões de boed até 2025.

Em dezembro será a segunda vez que o Brasil ofertará em leilão concessões para a exploração de volumes de óleo e gás dos blocos Sépia e Atapu, em região conhecida como cessão onerosa, na Bacia de Santos. Uma licitação em 2019 não atraiu investidores.

A Petrobras também está procurando parceiros para a margem equatorial, onde a estatal luta para obter licenças para perfurar blocos a 30 quilômetros da fronteira com a Guiana. A Exxon divulgou mais de 9 bilhões de barris de petróleo e gás potencialmente recuperáveis ??na costa da Guiana.

“Os resultados na Guiana e no Suriname são uma inspiração para nós”, disse Borges. “A margem equatorial inexplorada é a área com maior potencial no Brasil para novos projetos.”

A Exxon seria uma candidata potencial natural para os blocos próximos à fronteira com a Guiana, disse Borges, ao mesmo tempo que espera atrair outras empresas.

Os projetos na nova área exploratória só seguirão em frente se a Petrobras conseguir parceiros para desenvolver os campos, o que pode exigir até 6 bilhões de dólares em investimentos, disse Borges.

“Um é pouco, dois é bom. Três, pode ser acomodado”, disse ele. “Mas sempre em parceria.”

Após anos sem sucesso na negociação com o órgão federal ambiental Ibama e alarmes devido à existência de corais na região, Total e BP deixaram participações nos blocos que tinham na área, e as concessões ficaram com a Petrobras.

Borges disse acreditar que a Petrobras terá mais facilidade para conseguir as licenças por ter equipamentos, pessoal e um plano mais robusto de mitigação de riscos. A estatal abriu licitação para contratar uma sonda de perfuração e aguarda propostas em algumas semanas.

“Temos um bom histórico de conseguir licenças. Se não estivéssemos confiantes, não teríamos aberto concorrência para contratar sonda.”

Baixo carbono 

Os principais produtores de petróleo estão enfrentando pressão legal de investidores, tribunais e governos para limitar drasticamente as emissões de carbono. Muitos mudaram os investimentos para áreas onde podem produzir petróleo a um custo mais baixo e com menores emissões.

O Brasil espera fazer as duas coisas com grandes plataformas de produção, capazes de bombear 150 mil barris por dia de apenas quatro poços de alto volume. Uma década atrás, uma produção semelhante exigiria 20 poços operando com força total, devido ao volume de óleo que jorra deles, disse Borges.

Também passou a usar flarings fechados em seu campo de petróleo de Búzios, por meio da reinjeção de gás natural.

Os EUA suspenderam as restrições de viagens para permitir cerca de três dezenas de autoridades de energia do Brasil. Entre os que devem comparecer à conferência OTC estão o ministro de Minas e Energia, o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o presidente-executivo da Petrobras e quatro diretores petroleira.

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