Brasil cai 3 posições e vira 12ª maior economia global, pior lugar desde 2004

O real teve um dos piores desempenhos do mundo em 2020 e o PIB do Brasil em dólares caiu 23%

Juliana Elias,

do CNN Brasil Business*

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 O Brasil ficou em 21º lugar em um ranking de crescimento econômico de 50 países em 2020, segundo a agência de classificação de risco Austin Rating. Nesta quarta-feira, 3, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país recuou 4,1% no ano passado, o terceiro pior resultado da história.  

O tombo da economia brasileira foi menor que o da média desses países (-4,8%), mas acima da verificada no mundo (-3,5%). Apenas três países terminaram o ano marcado pela pandemia da Covid-19 no azul: Taiwan, China e Turquia (veja a lista completa no fim do texto). As contas são do economista-chefe da agência de classificação de riscos Austin Rating, Alex Agostini, com base nos dados já publicados pelos órgãos oficiais dos países.

Queda de 23% do PIB em dólar

Mesmo não figurando entre as piores quedas do ano, o Brasil perdeu espaço no cenário global em 2020. O país deixou de figurar entre as dez maiores do mundo, passando ao 12º lugar, com participação de 1,6% no PIB global, ainda de acordo com a Austin. 

 

Como a comparação global é feita com o valor do PIB dos países em dólar, o Brasil saiu prejudicado pelo fato de ter tido uma das moedas que mais perdeu valor em 2020: o real caiu 22,4% em relação ao dólar no ano passado, o sexto pior desempenho em uma lista de 121 países.

Na moeda internacional, a queda do PIB brasileiro foi de 23%, de US$ 1,9 trilhão para US$ 1,4 trilhão. Com isso, Canadá, Coreia do Sul e Rússia passaram o Brasil na lista global. Para 2021, pelas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), o país deve continuar perdendo posições, e pode encerrar o ano no 14º lugar.

 

Atrás de europeus, à frente dos latinos

Com o resultado do PIB divulgado nesta quarta, a variação do PIB brasileiro ficou logo atrás de Bulgária, Romênia e Holanda (todos com queda de 3,8%), Letônia (-3,6%) e Estados Unidos, que aparece na 16ª posição, com um recuo de 3,5% no PIB anual. Economias fortes como Finlândia, Suíça, Suécia e Dinamarca são outras que também tiveram quedas menores.

Consideradas apenas as principais economias latinas, porém, o Brasil teve o melhor resultado da região. A Colômbia está no 38º lugar, com um recuo de 6,8% no PIB, o México caiu 8,3% e o Peru ocupa a lanterna do ranking, com uma perda de 11,1%.

Os três primeiros lugares do levantamento são ocupados por Taiwan (+3,1%), China (+2,0%) e Turquia (+1,6%), únicas economias que cresceram no ano passado.

No quarto trimestre, entretanto, essas economias já demonstraram um crescimento mais contido. A China, por exemplo, cresceu 2,6% ante o terceiro trimestre, passando ao 15º lugar na base trimestral. Epicentro da pandemia, o gigante asiático foi o único país do mundo onde a crise começou antes –  registrando o tombo no PIB no primeiro trimestre de 2020, enquanto o segundo já foi de recuperação.

Já a economia brasileira foi impulsionada pelo auxílio emergencial e cresceu 3,2% nos três últimos meses do ano passado, ficando na 11ª posição do ranking trimestral.

Atingida por uma primeira e depois uma segunda onda fortes da Covid-19, a zona do euro teve o pior desempenho em 2020 por região, com uma queda média das economias de 7,2%.

 

(*Com Estadão Conteúdo)

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