BTG e XP voltam a disputar escritórios de agentes autônomos

O banco de André Esteves tem levado a melhor, atraindo escritórios de agentes autônomos para a sua plataforma

Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

Aramis Merki II e Ernani Fagundes,

do Estadão Conteúdo

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 O “campeonato” de plataformas de investimento na disputa por agentes autônomos voltou a esquentar. Depois de alguns meses de movimentos estudados, em meio à pandemia, BTG Pactual e XP, os dois maiores pesos pesados dessa modalidade, voltaram ao combate.

Nos últimos rounds, entretanto, o banco de André Esteves tem levado a melhor, atraindo escritórios de agentes autônomos para a sua plataforma sob a promessa de condições que a instituição de Guilherme Benchimol teria preferido não bancar.

Na quarta-feira, 26, o escritório de agentes autônomos Onix Capital informou que estava encerrando o contrato com a XP Investimentos e ingressando no período de aviso prévio de 60 dias para o fim do vínculo com a instituição. A empresa não revelou com qual instituição financeira terá relacionamento após esse prazo, mas o Estadão/Broadcast apurou que a Onix Capital, que tem sede em Salvador (BA) e carteira de R$ 500 milhões sob custódia e mais de 2 mil clientes na Bahia e em Minas, deve assinar contrato com o BTG.

Ontem (27) o escritório Miura Investimentos, credenciado ao BTG, anunciou a incorporação da Ática Investimentos, ampliando seu patrimônio sob custódia para cerca de R$ 800 milhões. A compra foi fechada após a Ática cumprir os 60 dias de aviso prévio de seu desligamento da plataforma da XP.

Rumores no mercado também dão conta de que a Monte Bravo, maior escritório associado à XP, vem sendo sondada para se tornar uma corretora e se associar ao BTG. Em nota emitida no início da semana, a Monte Bravo diz não comentar rumores de mercado e afirma que “permanece focada em prover aconselhamento independente aos seus clientes e com planos de montar sua corretora”.

O escritório Acqua também era um dos maiores da XP quando se fundiu ao Vero, em dezembro. Com ainda mais estatura, planos de se tornar uma corretora e de abrir capital na B3, o Acqua-Vero se despediu da parceria de uma década com a XP e migrou para o BTG.

Fusões e aquisições

A XP conseguiu segurar alguns escritórios, enquanto o movimento de fusões e aquisições entre as casas menores se acentua. Foi o caso do Grupo Criteria Investimentos, que informou a aquisição da Sheva e aproveitou para reafirmar a parceria.

As fusões cacifam os escritórios e “embelezam a noiva” perante os olhos dos pretendentes, diz Alexander Ruszkay, sócio da Urca Capital Partners, que atua como assessoria em fusões e aquisições.

“O objetivo é crescer e se diferenciar para chamar a atenção. Quando um setor está se consolidando, as empresas com um certo tamanho são observadas”, diz.

Na estratégia atual do BTG, por exemplo, para alcançar o tamanho da XP, a base de clientes do escritório é fundamental. A consolidação desses escritórios se explica pela forma que muitos deles surgiram. “A XP fomentou os agentes autônomos. Lá atrás, ela entrou num mercado dominado por grandes bancos, estimulou os gerentes dessas instituições a se tornarem assessores”, explica Ruszkay. Procurado, o BTG não comentou.

A XP informou ter mais de 9 mil assessores de investimento parceiros (cerca de 80% do mercado) e, apenas em abril, atraiu 518 novos profissionais para seu ecossistema. “Nos raros casos de descredenciamento ocorridos até hoje, o histórico de transferência para a nova instituição é baixo, sendo menor que 15% em média”, disse. 

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