Campos Neto: BC poderá atuar no câmbio por conta de demanda no final do ano

'Tem muito dólar que não voltou para o país, ou seja, tem muito dólar que está represado e que está fora, que pode voltar em algum momento', diz o presidente do BC

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto (19.dez.2019)
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto (19.dez.2019) Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Marcela Ayresda Reuters

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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta terça-feira (14) que o BC provavelmente terá que atuar no câmbio por conta de demanda associada ao desmonte do overhedge (proteção cambial adicional dos bancos) no final do ano.

Ao participar do evento MacroDay 2021, promovido pelo banco BTG Pactual, ele disse que a volatilidade cambial que existe está ligada à compra grande associada ao overhedge e que o BC tem acompanhado os fluxos.

Segundo fonte com conhecimento direto do tema, há demanda de cerca de US$ 15 bilhões  que devem ser executados até 31 de dezembro por mudanças de tributação da variação cambial de investimentos no exterior, que começaram a entrar em vigor no final do ano passado.

Falando em condição de anonimato, a mesma fonte pontuou que o BC deve dar indicações mais precisas sobre este volume em comunicações à frente.

Durante o evento desta terça, Campos Neto buscou frisar que a existência de demanda “muito grande” associada ao tema do overhedge será por questão técnica pontual em torno da virada do ano.

“Grande parte do processo de desvalorização (da moeda) foi no ano passado. Este ano a gente tem tido uma desvalorização menor, alguma volatilidade, mas não uma tendência, a gente vê isso claramente”, afirmou.

“De fato demorou um pouco para o tema de termos de troca e o tema de fluxo começar a bater nos preços”, completou.

Campos Neto avaliou que boa parte do fluxo cambial de portfólio que saiu do Brasil ainda não retornou, tendo sido direcionado para a Ásia, com grande parte capturado pela China.

“Tem muito dólar que não voltou para o país, ou seja, tem muito dólar que está represado e que está fora, que pode voltar em algum momento”, afirmou ele.

“A gente entende que é um processo natural, é a decisão de quem gerou esse dólar de trazer ou não, a gente entende que o mercado operando livremente é a melhor forma possível”, acrescentou.

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