Carteira recomendada: Vale e Gerdau são as mais indicadas para dezembro

Veja as 22 ações mais sugeridas por 14 corretoras, bancos e casas de análises

O CNN Brasil Business ouviu casas de análises, bancos e corretoras para entender quais são as ações mais indicadas para o mês de dezembro
O CNN Brasil Business ouviu casas de análises, bancos e corretoras para entender quais são as ações mais indicadas para o mês de dezembro Anna Nekrashevich/Pexels

Artur Nicocelido CNN Brasil Business*

São Paulo

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O Brasil enfrenta neste final de ano uma forte pressão inflacionária, o que tem disseminado entre diversos setores da economia. O IPCA, que deve se manter acima dos 10% no acumulado de 12 meses, apontam os especialistas, deve provocar uma nova elevação nas expectativas para 2022.

De acordo com o boletim Focus da última segunda-feira (29), os especialistas projetam a inflação para 2021 em 10,15%, bem acima da meta de 3,75% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

A Ativa Investimentos destaca as projeções dos economistas se devem também à disposição do governo em manter a questão fiscal do país dentro de uma condição razoável, ou seja, honrando o teto de gastos como também avançando com reformas estruturais.

Com isso, os bancos, corretoras e casas de análises propuseram uma carteira recomendada para dezembro focada na diversificação, pois, “neste momento, [essa estratégia] se torna uma peça fundamental na performance da carteira”, dizem os analistas do Inter Research.

Carteira recomendada

O CNN Brasil Business ouviu casas de análises, bancos e corretoras para entender quais são as ações mais indicadas para o mês de dezembro. Para chegar a lista foram contabilizados os levantamentos da Órama, XP, Genial Investimentos, CM Capital, Toro, Benndorf, Warren, Guide, Ativa, Planner, Safra, Inter Research, Investmind e NuInvest.

E, dentre todas as companhias listadas na bolsa, a mineradora Vale foi a ação mais recomendada. Os analistas do Banco Safra explicaram que neste último mês, apesar dos menores preços no minério de ferro e da maior incerteza sobre o nível de crescimento da China – já que o país é o principal cliente da Vale -, a companhia deve continuar a gerar um fluxo de caixa mais sólido e manter níveis atrativos de remuneração aos acionistas.

Logo abaixo ficaram a Gerdau, com seis recomendações e o Banco do Brasil, com cinco indicações.

Veja abaixo o que os analistas comentaram sobre os oito papéis com maior destaque para este mês:

Vale

Ação: VALE3

Comentário: Mario Roberto Mariante, Victor Luiz de Figueiredo Martins e Ricardo Tadeu Martins, da Planner Corretora

Incluímos a Vale na carteira num momento em que o setor de mineração ainda sofre pressão vinda principalmente do lado da China, que tomou decisões para controle da produção siderúrgica e mexeu com todo o setor de mineração. Além disso, após o pico atingido meses atrás, acima de US$ 200 a tonelada, um recuo já era esperado.

Os números consolidados da companhia no 3º trimestre refletiram aumento na produção de minério de ferro e carvão, mas também tiveram o peso da forte queda nos preços do minério de ferro, com teor de 62% de ferro, levando a uma revisão na produção de vendas de produtos de minério de ferro de alta sílica.

A produção de finos de minério de ferro da Vale totalizou 89,4 Mt no 2T21, 18,1% acima do 2º trimestre, como resultado de melhora sazonal das condições climáticas no Sistema Norte, aumentando o desempenho de Serra Norte e S11D. A produção de pelotas da Vale totalizou 8,3 Mt no 3T21, em linha com 2º trimestre, ainda restrita à disponibilidade de pellet feed em Itabira e Brucutu.

No 3º trimestre, a receita líquida, o Ebitda e o resultado líquido, foram inferiores ao 2º trimestre, o que contribuiu para a desvalorização das ações da companhia que vinha de uma curva de alta nos preços do minério e de uma expectativa bastante positiva de resultados.

O mercado de minério de ferro vem recuperando em preços, mas há incertezas quanto ao comportamento da demanda global e dos preços internacionais, sobretudo com a nova ameaça do coronavírus. Mesmo assim, vemos a ação da Vale como boa oportunidade neste momento.

Gerdau

Ação: GGB4

Comentário: Gabriela Cortez, Rafaela Vitória, Breno Francis, Rafael Winalda, Gustavo Alves, Fernando Urbano, Vitor Carvalho e Henrique Abras, do Inter Research

Com exposição a diferentes segmentos da cadeia do aço e também a diferentes geografias, a Gerdau está bem posicionada para aproveitar as oportunidades e sobrepor os desafios que esperamos para o próximo ano.

No segmento de longos, em 2020 vimos a demanda impulsionada pelo mercado formiga com a população reformando suas casas. Já ao longo de 2021 foi a vez das incorporadoras com os lançamentos e importante avanço nas suas entregas.

Esperávamos resultados positivos da Gerdau para o 3º trimestre conforme relatório de prévias, mas a companhia conseguiu superar de longe nossas estimativas, com receitas 13% acima do esperado.

Entretanto, o destaque ficou mesmo por conta do Ebitda, que fechou em R$ 7 bilhões, 19% acima do trimestre anterior e 34% maior que nossas projeções, resultado não só de um melhor top-line, mas também de um controle estrito de custos e despesas. Com os resultados mais que satisfatórios, a companhia anunciou proventos no valor total de R$ 2,8 bilhões, totalizando R$ 1,62 por papel.

Banco do Brasil

Ação: BBAS3

Comentário: Gabriela Cortez, Rafaela Vitória, Breno Francis, Rafael Winalda, Gustavo Alves, Fernando Urbano, Vitor Carvalho e Henrique Abras, do Inter Research

Mantemos nossa recomendação para o Banco do Brasil (BBAS3), que apesar da percepção de risco de interferências políticas no Banco, seu balanço continua sólido e seus últimos resultados surpreenderam nossas expectativas e as do mercado, trazendo lucro líquido recorde, beneficiado por um forte resultado com tesouraria e ajustes positivos na Previ.

Mesmo que não contemos com esses efeitos para os próximos trimestres, esperamos que 2021 venha em linha com o guidance reportado e trazendo um ROE de cerca de 14%.

Ressaltamos a boa qualidade da carteira de crédito do banco, com baixo nível de inadimplência e linhas como agro que apresentaram forte crescimento.

Petrobras

Ação: PETR4

Comentário: Hugo Carone, do NuInvest

A Petrobras é uma das maiores produtoras de petróleo e gás do mundo, dedicada principalmente à exploração e produção, refino, geração de energia e comercialização. Tem o expertise na exploração e produção em águas profundas e ultra profundas como resultado de quase 50 anos de desenvolvimento das bacias offshore brasileiras, tornando-se líder mundial neste segmento.

O bloco de controle da companhia é composto pela União Federal, BNDES e BNDESPar que detém 36,75% do total de ações e 50,5% das ações com direito a voto. Do saldo remanescente de ações, 21,6% estão com brasileiros na B3, 22,12% com estrangeiros na B3 e 19,53% na bolsa de Nova York (ADRs).

Rede D’Or

Ação: RDOR3

Comentário: Guide Investimentos

A Rede D’Or é líder no mercado hospitalar privado brasileiro e no 2T21 contava com 9.611 leitos totais, sendo 91% dos leitos operacionais distribuídos em 58 hospitais, além de ter a maior rede integrada de tratamento oncológico do país, segundo a própria companhia.

O grupo reportou uma forte evolução do top-line, devido ao crescimento inorgânico e aumento da taxa de ocupação de leitos. No trimestre houve redução do número de internações de Covid-19, mas, em contrapartida, houve aumento na taxa de ocupação (78,4% no 3T21 vs. 75% no 3T20) diante da retomada dos procedimento eletivos.

O EBITDA ajustado foi de R$ 1,5 bilhão no trimestre, um aumento de 33,6% A/A. Já a margem EBITDA ajustada reduziu 1,2 p.p. A/A, atingindo 28,5% devido, principalmente, ao aumento das despesas administrativas.

A companhia segue seu ritmo acelerado de M&A e, ao longo do 3T21, quatro aquisições foram concluídas (Nossa Senhora das Neves e Clim na Paraíba, Proncor no Mato Grosso do Sul, e Santa Emília na Bahia) e ainda estão pendentes de aprovação três aquisições (Hospital Novo Atibaia e Hospital Santa Isabel, em São Paulo e o Hospital Aeroporto na Bahia).

Seguimos otimistas com Rede D’Or, que deve continuar a apresentar resultados sólidos e demonstrar resiliência em virtude de sua solidez e do setor em que atua.

Bradesco

Ação: BBDC4

Comentário: Phillip Dyon Flores Pereira Soares da Órama Investimentos

O Bradesco é um dos maiores bancos deste país, com o seu principal negócio na concessão de crédito, mas também em serviços financeiros, investment banking e seguros. O banco possui um economics razoavelmente estável, com previsibilidade nos números de curto prazo.

Optamos por colocá-lo na nossa carteira primeiramente pela relevância do business de concessão de crédito no negócio, em especial no que se refere aos clientes large corporate. Este será um dos últimos negócios a serem atacados pelas fintechs, além de se beneficiar de um fator conjuntural que é a alta da Selic.

O business de seguro de saúde também deve se beneficiar dessas mesmas componentes. Acreditamos que alguns dos grandes bancos brasileiros foram extremamente conservadores no seu provisionamento pós-covid, e o Bradesco foi um deles. Esperamos uma reversão dessas provisões nos próximos resultados, o que é mais um fator conjuntural que deverá melhorar os números do banco.

Raia Drogasil

Ação: RADL4

Comentário: Investmind

A empresa é a maior rede de farmácias do Brasil, atuando em um segmento bem estável e com baixa correlação com o PIB. Além disso, a companhia vem entregando um forte crescimento nos últimos anos com a abertura de novas lojas e conseguindo reportar uma rentabilidade bem acima da média.

A empresa também vem desenvolvendo e maturando seu canal digital, que permite ganhos de escala e evita a ameaça de novos entrantes nesse segmento. Trata-se de uma operação de excelência e um management que conhece do business, com as famílias fundadoras da Raia e da Drogasil formando um acordo de acionistas.

Nesse mês foi anunciado seus resultados do 3º trimestre, mais uma vez vimos resultados consistentes, com aumento do número de lojas, expansão do seu negócio digital, mas com quedas de margens. Mesmo assim, nossa opinião sobre a empresa se mantém, onde avaliamos ser uma ótima opção defensiva do portfólio e que tem uma boa perspectiva de crescimento no longo prazo.

Lojas Renner

Ação: LREN3

Comentário: Gabriela Cortez, Rafaela Vitória, Breno Francis, Rafael Winalda, Gustavo Alves, Fernando Urbano, Vitor Carvalho e Henrique Abras, do Inter Research

Como toda varejista, o impacto da pandemia nos resultados da companhia foi evidente. Conforme reforçamos, a queda nas vendas em lojas físicas e a alternativa do canal online foi panorama padrão no setor – impactando negativamente as margens.

No entanto, a Lojas Renner é um dos players que tem a estrutura logística mais avançada do país e isso fez com que os custos fossem impactados em menor grau frente aos concorrentes. Com a retomada do fluxo de pessoas nos shoppings é esperado um crescimento das vendas totais e de margens, sinalizando que a companhia volta a vivenciar uma estrutura de patamares históricos pré-Covid-19.

Ademais, a Lojas Renner realizou uma oferta de ações que reforçou o caixa em R$ 4 bilhões, e que, apesar da compra da Repassa, boa parte dos recursos ainda segue intacto.

Esse recurso será destinado para crescimento inorgânico, ou seja, via aquisições, e de projetos internos de expansão. Em nossa visão, a companhia provavelmente mira uma empresa relevante no cenário digital, pois em relação a lojas físicas entendemos que a Lojas Renner tem representatividade relevante. Apesar do setor viver um momento conturbado pela inflação e juros altos, além de notícias sobre novas variantes, o segmento de vestuário segue se destacando em 2021.

*Com informações da Reuters

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