CEO da Ericsson: ‘Podemos ter 5G em algumas capitais brasileiras ainda em 2021’

Empresa diz ter equipamentos prontos 'e encaixotados' para enviar às operadoras e afirma que também está negociando com players menores

Rodrigo Dienstmann, presidente da Ericsson para o Cone Sul da América Latina
Rodrigo Dienstmann, presidente da Ericsson para o Cone Sul da América Latina Rogerio Lorenzoni

Matheus Pradodo CNN Brasil Business

São Paulo

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A Ericsson, gigante sueca hoje especializada no fornecimento de redes e antenas para o 5G ao redor do globo, acredita que a tecnologia estará disponível em algumas capitais brasileiras ainda este ano.

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o edital do leilão no último dia 25. Agora o texto volta para a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que terá que ajustá-lo para acatar as determinações da corte de contas. Somente depois disso será possível marcar com segurança uma data para o leilão. A previsão é que a licitação ocorra entre o fim de setembro e o início de outubro.

“Temos um altíssimo grau de confiança que o leilão vai ocorrer em outubro. O TCU acelerou o julgamento e as calibragens foram técnicas, não mudando o perfil não arrecadatório do leilão”, diz Rodrigo Dienstmann, novo presidente da companhia para o Cone Sul da América Latina, em entrevista ao CNN Brasil Business.

“Com isso, o governo troca a frequência por uma promessa de investimento, e pode acelerar o processo. Da nossa parte, já temos equipamentos prontos ‘e encaixotados’ para enviar aos clientes. Então, é possível que tenhamos redes 5G funcionando em algumas capitais brasileiras ainda em 2021 na faixa de 3,5GHz”, completa Dienstmann.

Hoje, a empresa conta com 94 operações comerciais ativas e 144 contratos em 45 países em todo o mundo, incluindo Estados Unidos e vários países na Europa e China. Possui ainda quatro fábricas espalhadas pelo globo, uma delas localizada em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

“Nossa preparação local começou justamente com a implementação da linha 5G na nossa fábrica, para exportar este produto. Ainda vamos investir R$ 1 bilhão até 2025 e queremos que essa planta se torne um hub de produção para a região. O Chile saiu na frente e já fez o leilão do 5G. Argentina, Uruguai e Peru devem fazer até ano que vem”, diz.

Dienstmann afirma, sem citar nomes, que a empresa já tem acordos com algumas das grandes operadoras nacionais e tem negociações avançadas para fechar outros contratos no curto prazo. No site da companhia, a Claro aparece entre as redes de 5G desenvolvidas em parceria com os suecos.

Além disso, o executivo não descarta a possibilidade de fechar parcerias com players menores. “As operadoras menores, regionais, estão se juntando em consórcios para conseguir cumprir as exigências do leilão. Estamos negociando com vários: redes neutras, associações de provedores”, diz. “Já trabalhamos essa negociação há anos, realizando primeiro um trabalho educativo.”

Mesmo sem saber as especificações técnicas, a Ericsson também já demonstrou interesse em participar da rede privativa que será estabelecida pelo governo federal. Como as fornecedoras não participam do leilão, a operadora vencedora deste certame poderá escolher com qual empresa deseja trabalhar. A Nokia também está na briga.

Tecnologia

A rede 5G, ou quinta geração de comunicação móvel, é vista há anos pela indústria como uma das mais importantes tecnologias para o crescimento econômico global na década de 2020.

Espera-se que a implementação melhore conexões ao diminuir a latência (tempo de resposta à conexão), o que deve impulsionar outras tecnologias como realidade aumentada, controle remoto de máquinas na indústria, conhecido como a Internet das Coisas (IoT), e cidades inteligentes.

Mas a teoria todos já sabem. Dienstmann ressalta, então, que o importante é como estes recursos serão aplicados, ou os casos de uso. Nessa linha, a companhia tem um centro de desenvolvimento tecnológico, em que investe R$ 100 milhões por ano, e também realiza parcerias com universidades e empresas, como John Deere, São Martinho e Weg.

“Colocar a rede é só o primeiro passo. O importante é desenvolver produtos a partir da tecnologia. No Brasil, temos muitas áreas que podem ser exploradas. O agro é forte no país, a automação da indústria também. Há ainda boas oportunidades em setores como logística, portos e mineração”.

Segurança

O processo do leilão parece estar chegando ao fim, mas não foi tranquilo. Parte do atraso no processo de implementação da rede no país pode ser atribuído ao imbróglio entre Brasil e China, que teve forte influência dos Estados Unidos comandado pelo então presidente Donald Trump.

A potência americana pressionou o país para barrar a empresa chinesa Huawei do processo, alegando que a utilização de equipamentos da companhia poderia facilitar ataques cibernéticos e até espionagem. No final das contas, nenhum país conseguiu comprovar as supostas falhas no sistema da empresa asiática.

Sem comentar especificamente o caso, o executivo afirma que toda tecnologia nova precisa passar por uma discussão sobre segurança. “Isso é inexorável. Segurança precisa ser uma preocupação. O que podemos dizer é que a nossa tecnologia é confiável”, afirma.

“Não vamos ser pioneiros, no sentido de ser os primeiros a lançar a tecnologia, mas ainda estamos dentro da janela para estar na linha de frente de adoção do 5G”, concluiu.

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