CEO do Goldman Sachs foi DJ em festa nos Hamptons que está sob investigação

David Solomon também é DJ de música eletrônica nas horas vagas e se apresenta como D-sol. Evento não teria respeitado regras de distanciamento social

Logo do Goldman Sachs
Logo do Goldman Sachs Foto: David Gray/Reuters

Matt Egan,

do CNN Business, em Nova York

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O CEO da Goldman Sachs, David Solomon, abriu para os Chainsmokers em um show beneficente em Southampton, na região dos Hamptons, no fim de semana passado. O show está sob investigação depois que vídeos mostraram multidões, desconsiderando as diretrizes locais de saúde. O governador de Nova York Andrew Cuomo criticou o show drive-in nos Hamptons por “violações flagrantes de distanciamento social”.

Além de administrar um dos maiores e mais poderosos bancos de investimento do mundo, Solomon também é DJ de música eletrônica nas horas vagas e se apresenta como D-sol quando toca em clubes de Nova York e Miami. No último sábado (25), ele se apresentou cedo e saiu antes do show terminar, de acordo com a Goldman Sachs (GS).

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“A grande maioria do público parecia seguir as regras, mas ele [Solomon] ficou preocupado com o fato de alguns as violarem e colocarem a si e os outros em risco”, disse um porta-voz do Goldman Sachs em comunicado. O banco de Wall Street acrescentou que os organizadores do show beneficente “trabalharam em estreita colaboração com o governo local e implementaram rigorosos protocolos de saúde”.

O estado de Nova York, uma das partes mais atingidas dos Estados Unidos durante a pandemia, proibiu reuniões não essenciais de mais de 50 pessoas.

Os organizadores do evento Safe & Sound prometeram um “ambiente seguro e controlado estabelecendo o padrão para todos os eventos futuros”, de acordo com o site que promovia o evento. Isso incluiu encorajar os participantes a usar máscaras quando iam aos banheiros e exigir que eles chegassem juntos em seus grupos, seguindo as diretrizes de distanciamento social. Não está claro como esses protocolos foram aplicados, se é que o foram.

Os ingressos custaram a partir de US$ 225, chegando a US$ 2.500 por pessoa no “pacote Rockstar” que incluía um trailer privativo para 10 pessoas. Os Chainsmokers, que tocaram após Solomon terminar seu show, são uma dupla de DJs premiados com o Grammy.

Cuomo disse que ficou “chocado” com vídeos que mostravam multidões no local. O secretário de saúde do estado de Nova York, Howard Zucker, enviou ao supervisor de Southampton uma carta na segunda-feira (27) dizendo que estava “bastante perturbado” por relatos de “milhares de pessoas próximas, fora de seus veículos”, perto de uma “área VIP onde não havia sinal de carro nenhum”. Zucker também disse que participantes de shows “geralmente não aderem à orientação do distanciamento social”.

De acordo com os organizadores, o evento arrecadou dinheiro para várias instituições de caridade, incluindo No Kid Hungry, que combate a fome na infância.

O Safe & Sound aconteceu apenas um dia depois que o Goldman Sachs fechou um acordo de US$ 3,9 bilhões com o governo da Malásia para encerrar as acusações sobre o papel do banco em um enorme escândalo de corrupção conhecido como 1MDB. O banco de Wall Street organizou e subscreveu acordos para o 1MDB, um fundo soberano que teve US$ 4,5 bilhões roubados, segundo o Departamento de Justiça.

O ex-primeiro ministro da Malásia, Najib Razak, foi condenado a 12 anos de prisão na terça-feira (28) e recebeu multa de US$ 49 milhões em acusações relacionadas ao escândalo.

Salomon substituiu Lloyd Blankfein como CEO do Goldman Sachs em 2018. “Eu meio que entrei nessa como um hobby, e agora faço isso por diversão”, disse Solomon em um podcast em 2017 sobre sua atuação como DJ.

*Laura Ly e Hollie Silverman, da CNN, contribuíram para esta reportagem

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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