“Certamente há um risco de recessão”, diz ex-secretário do Tesouro dos EUA à CNN

Larry Summers afirmou que cenário de inflação alta e desemprego baixo no país tende a ser seguido por uma recessão

Inflação nos Estados Unidos atingiu o maior valor em 40 anos
Inflação nos Estados Unidos atingiu o maior valor em 40 anos Lee Jae-Won/Reuters

João Pedro Malardo CNN Brasil Business

em São Paulo

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O ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos Larry Summers afirmou em entrevista à CNN que a economia norte-americana corre risco de entrar em recessão nos próximos dois anos.

Summers, que ocupou o cargo durante o governo do ex-presidente Bill Clinton, discordou da fala da atual secretária, Janet Yellen, de que o país não corre risco de enfrentar um quadro de recessão.

“Acho que quando a inflação está tão alta quanto agora e o desemprego está tão baixo quanto está, é quase sempre seguido em 2 anos por uma recessão”, avaliou.

Ele ainda citou como sinais de alertas a situação atual nos mercados de ações e de títulos do Tesouro, além dos dados de sentimento do consumidor. Para ele, “certamente há um risco de recessão no ano que vem, e é mais provável que ela ocorra nos próximos 2 anos”.

Para o ex-secretário, os mais otimistas erraram em 2021 ao dizer que os Estados Unidos não enfrentariam uma inflação descontrolada, e estão errando novamente agora ao prever que o país evitará uma recessão.

Mesmo assim, ele considera que há pouco o que o governo possa fazer para conter a inflação, no maior valor desde 1981. “A inflação depende do Putin e do petróleo, há um risco de subir mais, não acho provável que recue rapidamente, e acho que as estimativas do Federal Reserve tem sido muito otimistas”, disse.

Na semana anterior, o preço do galão de gasolina nos Estados Unidos atingiu US$ 5 pela primeira vez na história, e Summers afirmou que o valor gira em torno da geopolítica e da situação na Ucrânia.

Ele espera que o Fed reconheça a gravidade do problema e mude suas expectativas para a inflação na reunião de política monetária desta semana, e que é importante manter a independência do banco central dos Estados Unidos para que ele faça o necessário para reduzir as pressões inflacionárias.

Dentre as ações que o governo do presidente Joe Biden poderia tomar contra a inflação, Summers citou a redução de tarifas para produtos vindos da China, que segundo ele torna os produtores norte-americanos menos produtivos, assim como o aumento de impostos cortados durante o governo do ex-presidente Donald Trump e a redução dos preços e remédios.

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