Chanceler brasileiro critica decisão unilateral sobre status comercial da Rússia

Ministro Carlos França cobrou deliberação coletiva; rebaixamento de condição comercial russa deve aumentar o preço dos produtos nesses países

Ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto França, critica decisão unilateral de rebaixamento do status comercial da Rússia
Ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto França, critica decisão unilateral de rebaixamento do status comercial da Rússia CNN / Reprodução

Gabriela VinhalNicole DinizKaio Telesda CNN

em Brasília

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O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, criticou nesta segunda-feira (14) a decisão unilateral de alguns países que integram a Organização Mundial do Comércio (OMC) de rebaixar o status comercial da Rússia. Segundo o chanceler, a deliberação deveria ter sido coletiva.

“O Canadá fez isso, outros seguiram, não tem a lista aqui extensiva. Mas isso me preocupa porque essa era uma decisão, penso eu, ficava, tomada se fosse, dentro do sistema multilateral de comércio, ou seja, se esse desejo canadense e para outros países”, afirmou.

Na última sexta-feira (11), o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que rebaixaria a condição da Rússia de “nação mais favorecida”, junto ao G7 —grupo dos países mais industrializados do mundo, composto por EUA, Alemanha, França, Itália, Japão, Canadá e Reino Unido.

A medida permite que esses países aumentem as tarifas sobre uma ampla gama de produtos russos e também eleva a pressão sobre a economia russa após a invasão da Ucrânia. Segundo França, a sanção prevê uma alíquota de 35% para o mercado canadense, por exemplo.

“Hoje, o que nós vemos, por exemplo, em relação ao conflito Ucrânia-Rússia, que países têm, ao arrepio da OMC, mas fazendo parte da OMC, já retirado a concessão de nação mais favorecida para a Rússia, uma espécie de punição”, disse.

As declarações de França foram dadas nesta manhã, durante uma aula magna a estudantes do curso de relações internacionais do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), em Brasília.

“Não acho que isso [rebaixar o status comercial da Rússia] faça bem paro o sistema multilateral de comércio. Nem para os interesses de um país como o Brasil, que tem, justamente no multilateralismo, a sua força”, completou.

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