China abre primeira bolsa de valores em Pequim, a “queridinha” de Xi Jinping

A nova bolsa de valores tem como objetivo ajudar pequenas e médias empresas a levantar capital

A Bolsa de Valores de Xangai durante a epidemia de coronavírus, no distrito financeiro de Pudong
A Bolsa de Valores de Xangai durante a epidemia de coronavírus, no distrito financeiro de Pudong Reuters

Laura Hedo CNN Business

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A China inaugurou, nesta segunda-feira (15), uma nova bolsa de valores, em Pequim. Ela era desejo do presidente chinês Xi Jinping há algum tempo e tem como objetivo ajudar pequenas e médias empresas a levantar capital.

O primeiro lote de 81 empresas já começou a ser negociado, incluindo 10 ofertas públicas iniciais de empresas de tecnologia e manufatura. As ações desses IPOs subiram no primeiro dia chegaram a um aumento médio de preço de 200%.

A Tongxin Transmission, fabricante de componentes para automóveis, teve um desempenho de destaque, com um ganho surpreendente de 494%.

O lançamento da bolsa é de importância estratégica para a visão econômica e política de Xi Jinping. Esta é a primeira vez que uma bolsa é aberta em Pequim, dando à capital e ao centro político do país mais influência no mundo dos negócios e das finanças.

Ela chega no momento em que o presidente está reprimindo alguns dos maiores gigantes da tecnologia do país, que até recentemente vinham crescendo em um ritmo quase desenfreado.

A campanha do líder comunista visa garantir que a riqueza e o capital não fiquem concentrados nas mãos de alguns gigantes da indústria.

O lançamento da BSE pode proporcionar algum alívio para as empresas do setor de tecnologia, que estão enfrentando grandes obstáculos regulatórios dos Estados Unidos e da China para levantar dinheiro no exterior.

Influência de Pequim

As principais bolsas de valores da China Continental estão localizadas longe do centro político do país, no norte.

A Bolsa de Valores de Xangai, que foi estabelecida na cidade oriental em 1990, hospeda principalmente empresas de grande capitalização, incluindo empresas estatais, bancos e empresas de energia.

Já Bolsa de Valores de Shenzhen, no sul da China, tem uma proporção maior de empresas de tecnologia.

Hong Kong , a ex-colônia britânica no sul da China, também tem uma bolsa de valores internacional que está sujeita a diferentes sistemas regulatórios e jurídicos. É livre do tipo de controle estrito de capital que o país asiático impõe.

“O estabelecimento da BSE é propício para o desenvolvimento regional equilibrado e aumentará a influência do norte da China [no] mercado de capitais”, disse Luo Zhiheng, analista macro-chefe da Yuekai Securities, com sede em Guangzhou.

Além disso, a Bolsa de Valores de Pequim pode “atender melhor ao posicionamento central da cidade capital de se tornar o centro da política, cultura, intercâmbio internacional, tecnologia e inovação do país”, uma meta estabelecida por Xi em 2014, disse Luo.

Fortalecendo o mercado interno

O lançamento da bolsa com sede em Pequim também ocorre no momento em que as portas estão se fechando para IPOs de tecnologia chineses no exterior, devido ao processo mais rigoroso dessas empresas nos Estados Unidos.

A China tem incentivado suas empresas a se listarem no país e a se tornarem menos dependentes de dinheiro e tecnologia estrangeiros, uma campanha que se intensificou durante a guerra comercial de 2018 e 2019 com os EUA.

No domingo, a Administração do Ciberespaço da China propôs regras mais duras para empresas de tecnologia que planejam listagens no exterior. As empresas que pretendem se listar em Hong Kong devem se submeter a inspeções de segurança cibernética se possuírem dados que digam respeito à segurança nacional, disse o regulador.

“A liderança da China tem se tornado mais cautelosa em relação às listagens de suas empresas nos Estados Unidos, em particular para empresas que controlam quantidades significativas de dados”, disseram analistas do Eurasia Group, com sede em Nova York, em um recente relatório de pesquisa.

 

(Texto traduzido. Leia o original aqui)

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