China endurece investigação sobre monopólio de big techs, incluindo o Alibaba

Nesta quinta, em sessão reduzida, as ações do Alibaba tombaram 8% em Hong Kong. Ao todo, os papéis caíram 26% desde outubro

Fachada de prédio da Alibaba, maior provedora de nuvem de dados da Ásia (18.nov.2019)
Fachada de prédio da Alibaba, maior provedora de nuvem de dados da Ásia (18.nov.2019) Foto: Aly Song/Reuters

Laura He,

do CNN Business, em Hong Kong

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A China começou uma investigação antitruste contra o Alibaba (BABA), aumentando o escrutínio sobre o rápido crescimento de empresas de tecnologia e internet no país.

O Órgão Estatal de Regulação de Mercados (SAMR em inglês) disse nesta quinta (24) que irá analisar possíveis comportamentos monopolísticos praticados pelo Alibaba, gigante do e-commerce e cloud comandada por Jack Ma. 

A entidade deu poucos detalhes, mas afirmou que iria investigar suposta prática da companhia que obrigaria vendedores parceiros a assinar contratos para impedir que vendessem seus produtos em marketplaces rivais.

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Separadamente, o Banco da China anunciou que os quatro reguladores financeiros do país irão convocar o Ant Group, fintech do Alibaba, para uma reunião nos próximos dias. O encontro servirá para “guiar a companhia” na implementação de supervisão financeira e regulação dos seus serviços.

Essa pressão intensa chega algumas semanas depois de reguladores chineses forçarem Ma a cancelar a oferta primária de ações da empresa de serviços financeiros. A listagem do Ant seria a maior da história.

Nesta quinta, em sessão reduzida, as ações do Alibaba tombaram 8% em Hong Kong. Ao todo, os papéis caíram 26% — perdendo mais de US$ 240 bilhões de valor de mercado — desde o seu último pico em outubro, antes do IPO ser cancelado.

O Alibaba, que foi fundado em 1999, se transformou rapidamente em um extenso império tecnológico que toca todos os aspectos da vida dos chineses. Seu e-commerce tem centenas de milhões de usuários e domina o setor. 

No setor de pagamentos online, o Ant Group também é líder. Oferece desde contas de investimento e seguros, até aplicativo de relacionamento.

Dias depois do IPO ser cancelado no início de novembro e de Ma criticar os reguladores chineses, o SAMR anunciou novas diretrizes para evitar a formação de monopólios de internet. A medida assustou investidores e tirou centenas de bilhões das empresas de tech chinesas.

A pressão vem crescendo desde então. Na quarta, a entidade convocou seis gigantes do setor –Alibaba, Tencent, JD.com, Meituan, Pinduoduo e Didi Chuxing– para uma reunião, informando que iria elevar a regulação sobre compras coletivas.

Este modelo ganhou popularidade nos últimos anos, especialmente durante a pandemia do novo coronavírus, que obrigou a população a depender de compras online. O SAMR afirmou que estava preocupado com a modalidade, porque permitia o esvaziamento de produtos a preços muito baixos, o que prejudicaria o mercado de trabalho e outros setores da economia.

A companhia de Ma afirmou que recebeu a notificação de que uma investigação “antimonopólio” havia sido iniciada. “O Alibaba vai cooperar ativamente com os reguladores nesta questão”, afirma em nota. O Ant Group disse que “vai estudar seriamente e cumprir estritamente os requisitos regulatórios”.

Outras ações do setor estavam pressionadas no pregão de Hong Kong nesta quinta. Tencent, JD.com e Meituan caíram todas mais de 2%.

(Matéria traduzida, clique aqui para ler o conteúdo original)

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