China proíbe bancos de vender produtos de commodities para pequenos investidores

O movimento é para evitar perdas em investimentos em meio a um cenário de volatilidade nos preços de commodities

Bandeira da China em Pequim (27/05/2019)
Bandeira da China em Pequim (27/05/2019) Foto: Jason Lee/Reuters

da Reuters

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 O regulador bancário chinês pediu a instituições financeiras que deixem de vender produtos de investimento ligados a futuros de commodities a pequenos investidores de varejo, disseram à Reuters três pessoas com conhecimento do assunto, em movimento para evitar perdas em investimentos em meio a um cenário de volatilidade nos preços de commodities.

O regulador também solicitou aos bancos que desfaçam seus livros de operações com esses produtos, que são criados e depois revendidos para investidores individuais, segundo as fontes, que foram informadas sobre a decisão.

A determinação da Comissão Reguladora de Bancos e Seguros da China (CBIRC) para que os bancos deixem esses produtos foi emitida neste ano, segundo duas das fontes, mas ainda não havia sido divulgada.

“O risco embutido nos investimentos de bancos associados a commodities não podem ser facilmente identificados por investidores comuns, e eles nem podem suportar esse risco”, disse uma das fontes. “Os bancos também não têm experiência suficiente para administrar esses produtos de maneira adequada.”

As fontes falaram sob condição de anonimato, uma vez que a diretiva ainda não é pública. O CBIRC, principal órgão de fiscalização do setor bancário da China, não respondeu imediatamente a um e-mail da Reuters solicitando comentários.

A mudança ocorre no momento em oscilações significativas dos preços das commodities nos mercados locais e internacionais aumentam preocupações regulatórias sobre os riscos de apostas especulativas, o que já levou o órgão de planejamento estatal chinês e bolsas a enviarem alertas e aprovarem medidas tentando controlar os preços.

O CBIRC pediu que os bancos detalhem o progresso das atividades de “limpeza” desses produtos mensalmente, segundo duas das fontes, mas não foi dado um prazo específico para que as posições sejam desfeitas.

Dada a recente volatilidade de preços, a proibição de novas vendas cobre produtos vinculados a commodities não visados em medidas restritivas anteriores, como ouro, prata, platina, paládio, gás natural e grãos de soja, disseram três fontes.

Os preços da maioria dessas commodities dispararam nos últimos meses, enquanto os futuros do minério de ferro e do milho bolsa de Dalian e do aço e do cobre na Bolsa de Futuros de Xangai atingiram recordes este ano.

Alguns bancos estão considerando maneiras de transferir parte de seus investimentos vinculados a commodities e respectivos clientes para corretoras afiliadas, mas isso precisará de um consentimento do regulador, disse uma das fontes.

Embora os produtos bancários como derivativos possam ter falhas de desenho e de controle de risco, analistas afirmam que uma “limpeza” mais dura no setor significaria também um importante revés em planos da China de abrir seus mercados.

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