Chuvas fazem ONS melhorar projeções dos reservatórios do país

Painel da ONS mostrou um aumento de quase 10% para bacias do Sudeste; ainda assim, a conta de luz deve permanecer alta

Rafaella BalieiroStéfano Sallesda CNN

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Nesta terça-feira (11), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou novas projeções do índice de ocupação dos reservatórios das usinas hidrelétricas de todo o país para janeiro.

No subsistema Sudeste/Centro-Oeste, onde está Minas Gerais, com grandes concentrações de chuvas, a projeção é que o índice chegue a 40% até o fim do mês, contra 32,61% do nível atual.

O Nordeste, que sofreu com enchentes, principalmente, na Bahia, tem 64% e deve chegar a 70,2%. Já no Norte, o mais abastecido, com 76,69%, deve apresentar perda e fechar janeiro com 73,2%.

Com elevadas temperaturas e previsão de que o calor se mantenha nos próximos dias, com termômetros próximos a 40°C, o subsistema Sul é o que apresenta maior escassez. Com a estiagem, o índice de volume das bacias deve chegar aos 34,8%.

De acordo com o meteorologista Wanderson Luiz Silva, professor da UFRJ, a alternância entre períodos de seca e de chuvas intensas é um fenômeno natural.

“Isso faz parte da variabilidade natural do clima, temos alguns anos com verões mais chuvosos e outros anos com verões mais secos. O que agrava a situação é quando temos anos consecutivos mais secos”, analisa.

Segundo o especialista, ainda é cedo para saber se as chuvas deste verão serão suficientes para superar a crise hídrica nacional.

“O ideal é que essa chuva continue regular e bem distribuída sobre os principais reservatórios da região Sudeste no decorrer desse verão e até mesmo ainda no próximo”, conclui.

Em uma coletiva de balanço de 2021, em 15 de dezembro, Luiz Carlos Ciocchi, diretor-geral do ONS disse que não há risco de apagão ou de racionamento energético para 2022.

Ele destacou que a previsão é de que, ao término do período chuvoso, os reservatórios cheguem ao período seco de 2022 com mais água do que havia nesta mesma etapa de 2021.

Apesar de o cenário apontar para maior tranquilidade em relação ao abastecimento energético do país, o aumento do volume dos reservatórios não deve refletir diretamente no bolso do consumidor.

A vigência da bandeira tarifária de escassez energética permanece até abril deste ano. Nela, o consumidor paga R$ 14,20 adicionais a cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos.

Isto porque, para manter a recomposição dos reservatórios, ainda será necessário acionar as usinas termelétricas, mais caras. Professor da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), Maurício Tolmasquim explica o motivo de não haver redução de custos.

“Apesar dos grandes aumentos da bandeira tarifária do ano passado, eles não foram suficientes para garantir o pagamento das termelétricas. Então existe um déficit na conta bandeira. A bandeira da escassez hídrica vai vigorar até abril.

Parte desse custo vai ser jogado para o consumidor nos próximos anos, então ficou essa herança”, afirma o especialista.

Parte destes custos a que se refere Tolmasquim têm a ver com os empréstimos que têm sido negociados para as distribuidoras, para evitar aumentos tão elevados na tarifa. Para o ONS, o cenário de ocupação das bacias é positivo neste momento.

No entanto, o órgão afirma que ainda é cedo para cravar o fim da crise hídrica. Especialistas da instituição preferem que a análise seja feita no fim do período úmido no país, em abril.

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