Com alta dos alimentos, especialistas ajudam a economizar na hora das compras

Dicas incluem compras semanais, pesquisa entre supermercados das redondezas e lista de substituições das marcas; compra de mês fica para segundo plano  

O professor do Ibmec, Gilberto Braga, afirma que fazer uma lista de compras e a substituição de marcas é fundamental para economizar e tentar abastecer o carrinho
O professor do Ibmec, Gilberto Braga, afirma que fazer uma lista de compras e a substituição de marcas é fundamental para economizar e tentar abastecer o carrinho REUTERS/Pilar Olivares

Elis Barretoda CNN

Rio de Janeiro

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As compras em um curto espaço de tempo, a pesquisa de preço em supermercados diferentes e a substituição de marcas dos produtos são algumas das regras de ouro dos especialistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Ibmec para economizar nas compras diante do aumento de preço dos alimentos e a perda do poder de compra do brasileiro.

O economista da FGV, Alberto Ajzental, explica que a volatilidade inflacionária atual não é a mesma dos anos 80 no Brasil, onde os preços variavam diariamente. A compra por mês começou nessa época e criou-se uma espécie de estoque de alimentos na dispensa.

Com o alto desemprego e a incerteza econômica, Ajzental explica que as famílias não estão tendo dinheiro suficiente para comprar em grande quantidade.

“Se você tem uma inflação alta, mas constante, não é necessário sair correndo para comprar tudo de uma vez. O mais importante é comprar em grupos, com vizinhos, familiares, em lugares mais baratos ou supermercados atacadistas. É melhor comprar quantidade em um lugar mais barato, do que estocar”, destaca o economista.

A Associação Brasileira de Supermercado (Abras) divulgou na última semana que o preço da cesta de produtos de grande consumo, aumentou 1,33% em fevereiro deste ano, na comparação com o mês anterior. Em janeiro, o valor médio da cesta era de R$ 709,63, em fevereiro, os produtos apresentavam o valor de R$ 719,06.

A principal dica para um cenário de alta de preços, além da frequência, é a pesquisa de comparação entre os supermercados existentes no bairro e redondezas. Essa é a principal ferramenta do consumidor na hora de economizar na alimentação, segundo outro economista da fundação, o professor Joelson Sampaio.

“Existem estudos que mapearam boas práticas na hora das compras, quando você tem uma inflação mais alta. Outro ponto da importância da pesquisa de preços, é que a variação entre os estabelecimentos fica maior, então as famílias devem mapear os locais onde é mais barato comprar determinados produtos”, destaca Sampaio.

A sazonalidade dos produtos, principalmente frutas, legumes e verduras foi outro fator importante apontado pelos especialistas. Como esses alimentos estragam mais rapidamente, a dica deles para os consumidores é comprar em pouca quantidade e semanalmente.

A categoria de bens in natura também sofre forte impacto da inflação, segundo dados a Abras. Itens como a batata e a cebola apresentaram um aumento, respectivamente, de 23,49% e 3,26% no preço em fevereiro deste ano.

O professor do Ibmec, Gilberto Braga, afirma que fazer uma lista de compras e a substituição de marcas é fundamental para economizar e tentar abastecer o carrinho.

“É importante também observar sempre para cima e para baixo nas prateleiras e nas gôndolas todas as marcas disponíveis, porque os mercados têm o hábito de centralizar os produtos de marca própria, colocam na altura do olhar a marca que eles pretendem incentivar”, conclui o professor.

No início do mês, o índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o grupo de alimentação e bebidas está entre os que mais puxaram a alta de preços de março. Transportes e habitação também estão entre os destaques da inflação.

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