Com listagem nos EUA, americanas pensa em aquisições e expansão além do varejo

Após buscar investidores lá fora, a americanas s.a. deve ir às compras e garante que as opções não se limitam a varejistas, seguindo tendência do setor

Foto: Reuters/Sergio Moraes

Leonardo Guimarães,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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A B2W anunciou, na última quarta-feira (28), a incorporação da Lojas Americanas, em um movimento que não surpreendeu, mas animou o mercado. Os investidores do varejo, claro, falaram muito sobre o tema, mas os planos da companhia mostram que a americanas s.a. (com letras minúsculas mesmo) quer ser mais que uma varejista. 

Em entrevista ao CNN Brasil Business, Fábio Abrate, CFO e diretor de Relações com Investidores da B2W, falou sobre os planos da companhia e citou aquisições “para além do varejo”. 

O executivo, claro, não detalhes sobre esses planos, classificados como de longo prazo. Ele disse que algumas empresas já estão no radar, mas evitou falar sobre algum setor da economia específico. A única certeza é que a americanas s.a. quer expandir sua área de atuação. 

E faz sentido: este é um movimento já muito claro do varejo mundial. Basta olhar para a Amazon, principal referência do Ocidente. A empresa de Jeff Bezos já tem uma presença muito forte no streaming, com o Amazon Prime. Além disso, tem um braço menos popular, mas muito mais rentável: a AWS, de serviços em nuvem, que é o motor das receitas da empresa. 

Por aqui, podemos olhar para o movimento do Magazine Luiza. As últimas aquisições da empresa vão muito além do varejo. Recentemente, o Magalu adquiriu o site Jovem Nerd, de entretenimento, a ComSchool, de Educação, e a Hub Fintech, de serviços financeiros. 

Se formos para o Oriente, veremos grandes exemplos de empresas que foram além das lojas online e se tornaram um ecossistema de negócios, como Alibaba, JD.com e Tencent. 

Esse ecossistema de negócios começa, geralmente, com algo que a americanas já tem: um marketplace. A empresa nasce com mais de 87 mil vendedores na sua plataforma e 46 milhões de clientes ativos. É a partir do marketplace que as varejistas deixam de ser apenas varejistas, oferecendo serviços financeiros aos vendedores, criando bancos digitais e plataformas de streaming.

A americanas já tem um produto financeiro estruturado: a Ame Digital, que pode evoluir para um banco digital, um dos artigos dos sonhos da empresa. 

A partir da combinação dos negócios de B2W e Lojas Americanas, parece mesmo natural o caminho para que a empresa resultante se torne esse ecossistema. O CFO da B2W falou sobre as frentes de crescimento orgânico e inorgânico. Nas duas falas, citou a entrada da empresa em novos segmentos. 

Sobre o crescimento orgânico, aquele que é feito com o que a empresa já tem em mãos, Abrate disse que o sonho para a estrutura física é “criar uma das maiores redes de franquia do Brasil”. Para o digital, é “ter a melhor reputação” na visão do cliente. Além disso, o executivo diz que o movimento vai “conduzir a entrada da companhia em novas verticais”. 

Quando fala sobre M&A, Abrates não esconde a intenção de se capitalizar para fazer aquisições e diz que “há muitas oportunidades” no mercado. 

Listagem nos EUA

Na primeira etapa, a B2W vai integrar os ativos físicos da Lojas Americanas, fazendo da atual operadora das lojas físicas um veículo de investimentos. Depois, esse veículo de investimentos será listado nos Estados Unidos. O CFO da B2W disse à reportagem que a empresa ainda não decidiu sobre listagem na Nyse ou Nasdaq. 

A estrutura fica assim: BTOW3 vira AMER3 e será a empresa que controla a parte operacional: lojas física, marketplace e Ame Digital . LAME3 e LAME4 continuam existindo como ações do veículo de investimentos em AMER3. Depois, nos próximos 12 meses, as ações Lojas Americanas será listada em uma bolsa norte-americana. 

A listagem é parte importante da expansão inorgânica da americanas s.a. Com a captação lá fora, a empresa terá, na teoria, caixa para fazer as aquisições que precisa para crescer em outras verticais. 

Fábio Abrate conta que o principal motivo para ir aos Estados Unidos é encontrar investidores comprometidos com a visão de longo prazo da empresa. Ele diz que lá a empresa vai encontrar “acionistas que têm a mesma cabeça que a nossa”. 

Na cabeça de quem trabalha na B2W e na Lojas Americanas está a cultura de dono. Nessa cultura, a empresa quer que os colaboradores assumam os resultados de forma pessoal, como os donos fazem.

Essa mentalidade é uma das principais marcas do trio da 3G Capital, composto por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira. Juntos, eles terão 14,4% da empresa resultante e participação indireta via Lojas Americanas. 53,4% do capital votante fica nas mãos dos investidores. 

A B2W quer ir aos EUA para encontrar novos donos e se tornar dona de outras empresas.

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