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    Com menor cotação em dois anos, busca por dólar chega a 70%, diz Abracam

    Juros altos e commodities valorizadas por conta da guerra na Ucrânia favoreceram moeda brasileira

    Notas de dólares
    Notas de dólares 02/08/2011REUTERS/Yuriko Nakao

    Beatriz Puenteda CNN

    Rio de Janeiro

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    A procura por dólar nas casas de câmbio cresceu 70% desde o início da guerra na Ucrânia, segundo um levantamento da Associação Brasileira de Câmbio (Abracam).

    Nesta quarta-feira (23), o dólar encerrou o dia em queda de 1,44% em relação a terça-feira (22), sendo cotado a R$ 4,844, o menor preço em dois anos.

    De acordo com a Abracam, o índice de procura ainda não atingiu o patamar do período que antecedeu o Carnaval, no qual muitos brasileiros foram para o exterior, já que as festividades foram suspensas na maioria das capitais brasileiras.

    Neste segundo movimento de alta, no início de março, a procura já havia crescido 25% e, atualmente, a demanda pela moeda alcançou 70%.

    A presidente da Associação, Kelly Massaro, explicou que o aumento das buscas não foi influenciado diretamente pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Na visão dela, o cenário já era de otimismo para o setor nesse período.

    “A guerra em si não é um fator de procura de dólar, mas o fator guerra culminou outros pontos que são favoráveis na redução da cotação do dólar e, por consequência, na valorização do real. Nós temos fronteiras sendo abertas, nós temos flexibilização na questão de viagens e nós temos também um dólar, frente ao real, mais desvalorizado. E, sim, isso trouxe um aumento na procura de moeda estrangeira, em especial dólar nas corretoras de câmbio”, pontuou Massaro.

    Diante da queda do dólar, os clientes têm comprado quantias acima do ticket médio de US$ 750, chegando a valores entre US$ 1.500 e US$ 2 mil. Em comparação com o mês de março do ano passado, a procura pela moeda norte-americana aumentou cerca de 280%, segundo a Abracam.

    A taxa de juros em patamar elevado no Brasil é apontada pelo professor e economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Mauro Rochlin como o principal fator para o aumento do fluxo de dólares para o país e para a valorização do real. O Brasil possui atualmente a quarta maior taxa de juros no mundo no ranking elaborado da MoneYou e pela Infinity Asset Management, atrás da Argentina, Rússia e Turquia.

    Com a guerra na Ucrânia completando um mês, há preocupação com uma possível interrupção da oferta de commodities em todo o mundo, o que tem impulsionado o preço de produtos do milho ao petróleo desde o início do conflito.

    “A expectativa é de que entre mais dólares no Brasil via balança comercial por conta das commodities como açúcar, milho e soja. Principalmente pelo fator preço. O valor desses produtos aumentou, ficaram mais caros”, ressaltou Rochlin.

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