Com petróleo em queda, Petrobras tem prejuízo de R$ 2,7 bilhões no 2º tri

A receita líquida, por sua vez, despencou 30% em comparação a 2019 – empresa afirmou que Covid-19 teve um impacto grande nos resultados

André Jankavski,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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A estatal Petrobras divulgou o seu balanço do segundo trimestre na noite desta quinta-feira (30) e um prejuízo de R$ 2,7 bilhões no segundo trimestre, ante um lucro de R$ 18,9 bilhões registrado no mesmo período do ano passado. A receita líquida, por sua vez, despencou 30% em comparação a 2019.

“Excluindo esses fatores, o resultado teria sido pior devido aos impactos da Covid-19 em nossas operações, com reflexo nos preços, margens e volumes”, afirmou.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA), medida importante de geração de caixa, também registrou queda: 23,5%, a R$ 24,9 bilhões de reais. O número ficou acima do esperado pelo mercado, que esperava um valor próximo a R$ 20 bilhões. 

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Entre os motivos apontados pelo presidente da estatal, Roberto Castello Branco, está a queda dos preços do petróleo Brent, vendido no Reino Unido e que o Brasil utiliza como referência, em 2020. Em fevereiro, o valor do barril era de US$ 65 e chegou a cair para US$ 19 em abril, tanto por causa da fraca demanda causada pelas quarentenas, quanto pelo conflito entre Rússia e Arábia Saudita à época. A demanda global caiu cerca de 25%.

“Tal qual numa guerra, a escala e velocidade sem precedentes da pandemia global nos compeliu a agir rapidamente, já que sabemos que crises severas produzem vencedores e perdedores e os vencedores tendem a ser aqueles que respondem rapidamente. E almejamos ser vencedores”, justificou Castello Branco.

A empresa também anunciou que reduziu o orçamento de capital para 2020: de US$ 12 bilhões para US$ 8,5 bilhões. Além disso, tomou iniciativas para cortar US$ 2 bilhões em caixa. 

Para fortalecer o caixa, a companhia emitiu títulos de dívida de 10 e 30 anos no total de US$ 3,25 bilhões, além de US$ 2 bilhões em créditos com os bancos. Isso, segundo Castello Branco, foi fundamental para “constituir um colchão de liquidez para sobrevivermos ao cenário mais pessimista em que a média dos preços de petróleo ficasse em US$ 25 por barril de abril de 2020 até o fim do ano.”

Poderia ter sido pior

A Petrobras apontou que, em uma conjuntura de preços e demanda mais baixos devido à pandemia, houve uma melhora ante o prejuízo de R$ 48,5 bilhões no primeiro trimestre, principalmente devido à ausência de mais deterioração no período.

Além de não ter registrado baixas contábeis, que no trimestre anterior colaboraram para a companhia ter a maior perda de sua história, um ganho proveniente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Confins, após decisão judicial favorável, limitou o prejuízo entre abril e junho, já que teve um efeito de 10,9 bilhões de reais no resultado.

Segundo a estatal, excluindo esses fatores, a perda teria sido pior devido aos impactos da Covid-19 nas operações, com reflexo nos preços, margens e volumes.

Lições de Winston Churchill

Para os trimestres seguintes, o presidente da Petrobras acredita que a estatal ainda enfrentará muitos desafios para a criação de valor sustentável. Por isso, a meta continuará sendo criar iniciativas para cortar custos e aumentar eficiência.

Mas Castello Branco adota um discurso otimista. Na verdade, afirmou que “não há espaço para pessimismo”. Ele cita que a economia global está mostrando sinais de recuperação após a injeção de mais de US$ 15 trilhões de bancos centrais em todo o mundo. 

Diante disso, ele encerra a carta aos acionistas com uma frase do ex-primeiro-ministro britânico, Winston Churchill. “O pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade”. A conferir. 

(Com informações da Reuters)

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