Com reforma tributária, é hora de desistir ou apostar em fundos imobiliários?

No texto está excluída a isenção de imposto de renda sobre rendimentos de investimentos imobiliários

Fundos imobiliários caíram na sexta-feira
Fundos imobiliários caíram na sexta-feira Foto: OsakaWayne Studios/Getty Images

Tamires Vitorio, do CNN Brasil Business, em São Paulo

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A segunda fase da reforma tributária do governo — enviada na semana passada ao Congresso e que ainda depende do aval do Legislativo — trouxe um ponto que causou frisson no mercado financeiro na última sexta-feira (25).

Segundo o texto, está excluída a isenção de imposto de renda sobre rendimentos de investimentos imobiliários, que passariam a ser tributados em 15%. 

No mesmo dia da semana passada, o Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários da B3 (Ifix) caiu 2,13%, deixando quem investe no setor um tanto quanto preocupado. Esta segunda-feira (28), também amanheceu com um sabor amargo de ressaca. Mas, segundo os analistas ouvidos pelo CNN Brasil Business, o momento pede apenas uma coisa: calma. Afinal, o projeto ainda pode passar por alterações antes de ser aprovado.

Embora Ricardo Figueiredo, gerente de fundos imobiliários da Spiti, não acredite que a tributação dos FIIS caia da reforma, alguns pontos podem ser alteradas. “As pessoas precisam entender o que estavam buscando ao investir em FIIS: um fundo de renda ou um fundo imobiliário? Porque os segmentos do fundo imobiliário não mudaram. Nenhum shopping ou prédio teve o contrato de alocação alterado pela reforma tributária. Tudo continua como antes. O que fizeram agora é uma proposta de tirar um benefício que o produto tinha”, explica Figueiredo.

O gerente afirma que a extinção da isenção é “a retirada das rodinhas da bicicleta que é o investimento em fundos imobiliários”. “Se você acredita que o investimento é bom para o seu portfólio a médio e longo prazo, então continue investindo nele. O pior cenário já está dado: é o que a gente já conhece. Daqui para frente, não acho que terão grandes mudanças”, diz. 

É por isso que Figueiredo entende que não é hora de vender os fundos já comprados e que o clima de crise pode ser uma oportunidade. “Não é o último trem para Shangri-la, então foque em qualidade, analise, pense a longo prazo — e, lá na frente, muito provavelmente você vai colher bons frutos”, diz. 

A opinião é compartilhada por Rafael Sasso, especialista em mercado imobiliário e professor da Finted Tech School. “Não é isso que vai mudar o jogo, o que muda é a estrutura do preço. O jogo ainda não está definido, e a mudança estrutural vai afetar a classe de ativos inteiras. É preciso ter calma, entender o impacto disso em seu portfólio e decidir se deve ou não sair dessa posição”, afirma. “Apesar da inflação, o cenário imobiliário está crescendo e é muito grande”, continua. 

Para a XP Investimentos, também é a hora de ficar de olho nas melhores ofertas. “Vemos os fundos que atualmente negociam com descontos expressivos sobre seu valor patrimonial, sendo menos impactados, pois apresentam um colchão no seu valuation descontado. Dependendo da sua magnitude, esse desconto pode compensar (total ou parcialmente) a pressão nas cotas devido à futura tributação”, dizem os analistas da empresa em um relatório publicado no dia 25. 

Figueiredo ainda aponta que, no fim das contas, a reforma tributária pode atrair um investidor que não o físico: o institucional. “Esse benefício trazia benefícios artificiais para a pessoa física que não atraíam o investidor institucional. Com a reforma, pode ser que esse investidor altere sua visão. Quando ele chega, o jogo muda. A indústria cresce, ela se fortalece”, diz.

O conselho que fica é também um ditado popular: o tempo diz tudo. 

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