Como dono da Louis Vuitton passou ‘big techs’ e virou 2º mais rico do mundo

Desde começo do ano, fortuna do francês Bernard Arnault já ultrapassou a de Bill Gates e de Elon Musk, de acordo com lista de bilionários da Bloomberg

Bernard Arnault, dono da LVMH
Bernard Arnault, dono da LVMH Foto: Jérémy Barande/Ecole polytechnique Université Paris-Saclay/Wikipedia

Juliana Elias,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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O topo da lista das pessoas mais ricas do mundo é repleto de celebridades do mundo dos negócios. O mais rico deles, Jeff Bezos, dono da Amazon; Elon Musk, da Tesla; Bil Gates, da Microsoft; Mark Zuckerberg, do Facebook, e Larry Page, do Google, estão lá. Warren Buffett, dono da gestora Berkshire Hathaway e grande guru do mundo dos investimentos também estrela o rol. 

Há, porém, um estranho entre eles –e sua fortuna está crescendo (bem) mais rápido que a dos outros. Trata-se do empresário de 72 anos Bernard Arnault, dono da francesa LVMH, o maior conglomerado de produtos de luxo do mundo. 

O principal negócio é a marca de bolsas que chegam a custar US$ 20 mil, a Louis Vuitton. Também pertencem ao grupo de Arnault as marcas de moda Dior e Givenchy, as joalherias Tiffany e Bvlgary, as vinícolas de espumantes Moët & Chandon e uma lista de mais de 60 outras marcas de altíssimo padrão.

No início desta semana, Arnault ultrapassou por um pequeno punhado de bilhões o dono da fabricante de veículos elétricos Tesla, Elon Musk, e se tornou o segundo homem mais rico do mundo, de acordo o ranking diário de bilionários da Bloomberg. Arnault hoje tem US$ 159 bilhões; Musk, US$ 157 bilhões. No início do ano, o controlador e presidente da LVMH já havia deixado para trás Bill Gates também, hoje no quarto lugar, com US$ 141 bilhões. 

Arnault, o homem mais rico da Europa, não só é menos badalado que os colegas bilionários, como também destoa do restante do ranking de outras formas: francês, é o único do top 10 que tem os negócios fora dos Estados Unidos e, afora o mega-investidor Warren Buffet, do mercado financeiro, é também o único que não vem do setor de tecnologia. 

Luxo em alta, tecnologia em pausa

Uma mistura, porém, de explosão do mercado de luxo pós-pandemia com freio na euforia das ações de tecnologia ajudou a fortuna do executivo da Louis Vuitton e da Tiffany a crescer muito mais rápido do que a dos seus pares.

Do começo do ano até aqui, as ações da LVMH já subiram 23% na bolsa de Paris, onde estão listadas, acompanhando um impulso no preço das empresas ligadas a luxo e consumo, conforme as vacinas avançam na Europa e o crescimento da região indica que será forte nos próximos meses.

As ações da também francesa L’Oréal –companhia do 11º homem mais rico do mundo, Françoise Bettencourt Meyers, e o segundo na lista da Bloomberg fora dos EUA– avançaram 15% em 2021. As da espanhola Inditex, dona da Zara e patrimônio do 12º mais rico, Armancio Ortega, ganharam 23%.

Já as da Tesla, principal ativo no patrimônio de Musk, caíram 17% desde o começo do ano na Nasdaq, em Nova York. A queda é, ao mesmo tempo, uma correção da alta fenomenal de 740% do ano passado e um reflexo das fortes perdas na cotação do bitcoin, moeda virtual na qual a montadora havia acabado de aplicar US$ 1,5 bilhão, em fevereiro

A Nasdaq, bolsa com forte participação das companhias de tecnologia e onde estão Amazon, Facebook, Microsoft e Alphabet, dona do Google, além da Tesla, sobe 5% desde o começo de 2021. 

Ricos sem crise

“O segmento de luxo é muito resiliente. Ele vende para um público que não foi impactado financeiramente pela crise; esse extrato não sofre disso”, diz Arthur Siqueira, sócio e analista da GeoCapital, gestora de fundos brasileira especializada em ações internacionais. 

Siqueira explica que, no meio de 2020, as ações das companhias de luxo amargaram bastante, deprimidas principalmente pela redução da circulação da alta renda –”eles não puderam mais ir a Paris”, diz.

O setor vêm, no entanto, se recuperando desde então. Tanto nas bolsas como no mundo real: as vendas da LVMH no primeiro trimestre cresceram 32% na comparação com o primeiro trimestre de 2020 e 8% sobre os mesmos meses de 2019, antes de qualquer efeito da pandemia.

“O valor alto de uma empresa como a Tesla na bolsa está muito ligado ao que os investidores acreditam que ela pode valer no futuro, então, quando surge qualquer dúvida sobre esse futuro, o preço da ação sofre”, diz Siqueira. 

“Já empresas como a LVHM ou a L’Oréal são muito estáveis. Não vão dar um retorno de 50% em um ano como fizeram as ações do Zoom [de videochamadas], mas a probabilidade de que continuem crescendo é muito alta. A Louis Vuitton é referência no mundo de luxo há 50 anos e é muito difícil que não continue sendo nos próximos dez.”

Bilionário veterano

Esta não é a primeira vez que Arnault chega ao pódio dos bilionários: em 2019 e 2020 ele já vinha rivalizando com Bill Gates e flertou com a segunda posição na lista da Bloomberg algumas vezes. O choque da pandemia, porém, o jogou para trás novamente, enquanto as ações dos colegas da tecnologia explodiam

Também não é a primeira vez que o francês aparece entre os dez mais ricos do mundo. Pelo contrário, está lá há bem mais tempo do que quase todos os outros.

Dos dez grandes bilionários atuais, só Arnault, então em sétimo, Buffet, Gates e Larry Ellison, da fabricante de softwares Oracle, figuravam entre os dez mais ricos de 2010, pela lista daquele ano da Forbes. Ao lado deles, estavam executivos das telecomunicações, do varejo e do petróleo -caso do brasileiro Eike Batista, que chegou a ser a oitava pessoa mais rica do mundo quando a sua companhia, EBX, hoje falida, era ainda uma pujante promessa. 

Do seleto grupo, só os veteranos Gates e Ellison eram de tecnologia. Todos os outros seis do ranking atual vieram depois. 

 

 

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