Comunicado do BC foi mais duro do que o esperado pelo mercado, diz ex-diretor

Em entrevista à CNN, Tony Volpon comentou a decisão do Copom de aumentar a Selic para 9,25% nesta quarta-feira (8)

Douglas Portoda CNN

em São Paulo

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Tony Volpon, estrategista-chefe do Wealth High Governance (WHG) e ex-diretor do Banco Central (BC), afirmou, nesta quarta-feira (8), em entrevista à CNN, que o comunicado do BC sobre a alta de 1,5 ponto percentual (p.p.) na Selic, a taxa básica de juros da economia, pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), foi mais duro do que o esperado pelo mercado.

“Tem um grande debate no mercado devido à sinalização que o Banco Central deu hoje. O comunicado veio de uma maneira mais dura do que o mercado estava esperando. Acho que você ter um aumento da taxa de juros amanhã, reagindo a isso. Mas irá depender realmente de onde esse processo para”, analisou Volpon.

Este foi o sétimo avanço consecutivo da Selic, começando em abril deste ano. Segundo o comunicado do Copom, a variância maior que o usual “é compatível com a convergência da inflação para as metas ao longo do horizonte relevante, que inclui os anos-calendário de 2022 e 2023”.

“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, continua o comunicado.

Volpon explica que o aumento desproporcional na taxa de juros, poderia causar uma forte queda na inflação no cenário previsto pelo Banco Central.

“Existe um risco hoje de você realmente ter um exagero no aumento da taxa de juros que causaria eventualmente uma queda muito forte da inflação em 2023. E também arriscaria um processo recessivo no ano que vem, quando o mercado já está esperando um PIB ao redor de zero com as expectativas atuais”

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