Consumidor pode ver redução de preços em alimentos em 2022, diz diretor da Conab

Especialista acredita que um 2022 "bastante promissor" para o agronegócio pode ajudar a diminuir a pressão sobre os alimentos para o consumidor brasileiro

Raphael Coraccinida CNN

Em São Paulo

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O preço dos alimentos pode ser mais amigável para o consumidor brasileiro ao longo de 2022, mas isso vai depender de alguns fatores internacionais, como a demanda chinesa, além de questões internas, como a valorização do real e o aumento da produção.

A opinião é de Sérgio De Zen, diretor-executivo de Política Agrícola da Conab (Companhia Nacional do Abastecimento) e professor doutor da ESALQ-USP, que falou à CNN nesta quarta-feira (8).

Um dos fatores já está bem encaminhado, o aumento da produção nacional. O agronegócio bateu recorde de exportações em 2021 até aqui, movimentando US$ 102 bilhões entre janeiro em outubro, segundo relatório da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA).

Ele vê o Brasil “entrando num ano bastante promissor”, com a perspectiva de crescimento forte da produção de soja, milho e proteína animal.

“Para 2022, a perspectiva é de uma safra de 289 milhões de toneladas, crescimento próximo de 19% em relação à safra anterior, já precificando intempéries climáticas e adversidades normais”, avalia.

“O consumidor vai começar a ver uma redução de preços. Se a gente tiver uma reversão de câmbio, que é um cenário bastante plausível, ele será mais beneficiado ainda”, afirma de Zen. “A gente tem uma perspectiva bastante otimista”, completa.

Ele ressalta que o aumento do preço da carne ao longo deste ano esteve diretamente relacionado à desvalorização cambial, “e como a proteína tem custos em dólar, ela encarece nesse momento para quem compra em reais, mas a gente tem neste momento um aumento da produtividade que compensa uma parte disso”, explica.

Fator China

Pesa ainda sobre a possibilidade de o brasileiro ver o preço mais amigo na gôndola o fato de a China, maior importadora de carne brasileira, estar empenhada em favorecer o consumo de produção local de proteína animal, que é basicamente composta de carne suína.

“O governo (chinês) reduz a importação de carne bovina para que migre para a carne suína e enxugar o mercado”, explica De Zen.

Mas a redução da demanda por produtos importados na China deve ser pontual, com uma posterior retomada das importações. “A partir do momento que enxuga (o mercado de carne suína, a China) deve retomar a importação no ritmo normal”, afirma o diretor.

Existe também a possibilidade de o mercado de carne bovina crescer na China depois de uma estabilização da economia mundial, o que poderia colocar mais pressão sobre o preço no mercado interno.

Hoje, a China consome 6 kg por habitante ao ano de carne bovina, contra 24 da Europa e 26 do Brasil.

Renda do brasileiro

Ainda que haja um crescimento da produtividade no campo e os fatores internacionais colaborem, é preciso haver um fortalecimento da renda do brasileiro para que a produção nacional seja direcionada para o mercado interno, caso contrário, o destino tende a continuar sendo o exterior, explica De Zen.

“A gente sabe que a distribuição não é homogênea e que isso é um problema da distribuição da renda, isso não pode ser resolvido pela agricultura. É preciso separar o problema da produção do problema da renda”, destaca.

* Produzido por Vinícius Tadeu, com a supervisão de Elis Franco

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