Consumo de carne bovina brasileira deve ter queda no início de 2022, diz Ipea

Além de ser afetada diretamente pelo embargo chinês, a proteína também sofre com menor procura interna entre os brasileiros

Trabalhadores descarregam caminhão com carne bovina em São Paulo
Trabalhadores descarregam caminhão com carne bovina em São Paulo Reuters

Lucas Janoneda CNN

no Rio de Janeiro

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Afetada diretamente pelo embargo imposto pela China, que já perdura quase três meses, a comercialização de carne bovina brasileira deve registrar queda no início de 2022. A previsão faz parte de um levantamento divulgado nesta quarta-feira (1) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A proteína sofre com menor procura interna entre os brasileiros, muito em função dos altos preços do produto por conta da inflação e da escassez hídrica que atingiu o país nos últimos meses.

Com a falta de chuva, as safras dos grãos utilizados para alimentar o gado tiveram redução na oferta, o que encareceu o preço da proteína para o consumidor final.

“A forte piora na relação de troca para o pecuarista preocupa toda a cadeia produtiva, sobretudo o pecuarista que deve entregar seus animais à indústria no final de 2021 e início de 2022″, destaca um trecho da pesquisa.

“Para o pecuarista, esse momento pode resultar, nos médio e longo prazos, em desaquecimento na demanda por novos lotes de animais desmamados, justamente quando houve elevado custo de produção”.

A pesquisa do Ipea também destaca que “a estiagem prolongada e o elevado preço dos grãos aumentam o custo da ração animal. Isso afeta a produção e dificulta o aumento de oferta de animais em diferentes regiões ao longo de 2021, o que continuará a produzir efeitos sobre os preços no início de 2022”.

Para Hyberville Neto, médico veterinário e representante da Scot, consultoria especializada no setor, o consumo de carne bovina no Brasil naturalmente costuma diminuir no início do ano. Entretanto, o movimento pode ser acentuado por conta do embargo praticado pela China.

“Para o começo do ano que vem é esperado um escoamento mais calmo de carne bovina no Brasil. No início do ano existe normalmente uma redução no consumo entre os brasileiros, por conta da sazonalidade. Além disso, temos que acompanhar o embargo da China, que segue atrapalhando o setor e pode piorar a situação”, destacou Neto.

Carne de frango

A pesquisa mostra que a carne de frango deve registrar alta demanda nos últimos dias do ano, mesmo com a proximidade das festas de fim de ano, quando é percebido o aumento na procura por outras proteínas, como as aves natalinas.

A expectativa é de que a demanda continue alta para o próximo ano por conta da substituição da carne bovina por proteínas mais baratas.

“Mesmo com a proximidade do final de ano (quando geralmente se verifica aumento na demanda por outras carnes, como a suína, a bovina e as de aves natalinas, em detrimento da de frango), o consumo da proteína de frango pode seguir aquecido, justamente devido ao aumento da demanda por proteínas mais baratas”, aponta o Ipea.

Carne suína

O levantamento do Ipea também indica ainda aumento na demanda por carne suína no último trimestre deste ano, em função das festividades da época, como o Natal e o Réveillon.

Segundo o Instituto, a procura mundial pelo produto pode subir 2% em 2022, quando comparado com este ano.

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