Contingenciamento é o cenário mais provável para 2020, diz secretário

Para Waldery Rodrigues, secretário da Fazenda, crise global deve impactar economia e diminuir arrecadação do governo em 2020

Governo deve ter novs contingenciamentos em 2020, mesmo com pressões globais (15.Out.2010)
Governo deve ter novs contingenciamentos em 2020, mesmo com pressões globais (15.Out.2010) Foto: Bruno Domingos/Reuters

Anna Russi

Da CNN Brasil, em Brasília

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O secretário especial da Fazenda do ministério da Economia, Waldery Rodrigues, afirmou nesta terça-feira (10/3) que um contingenciamento de despesas deve acontecer para que haja o cumprimento da meta fiscal deste ano. “Dados apontam que contingenciamento é o cenário mais provável”, disse ele após participar de um evento Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em Brasília. 

A fala do secretário aparece como uma resposta à crescente pressão de empresários e especialistas para que haja uma flexibilização no teto de gastos e um aumento da intervenção do Estado na economia. O temor deles é que os impactos das crises do petróleo e do coronavírus sejam mais fortes caso o governo não atue mais fortemente na contenção. 

Porém, esses exemplos foram utilizados pelo secretário para defender o contingenciamento e austeridade. Para Rodrigues, a instabilidade no preço do barril e a revisão na expectativa de crescimento para o Brasil devem trazer menor arrecadação do que o governo estimava no início do ano. Além disso, descartou completamente qualquer flexibilização do teto de gastos. 

“O teto de gastos é de enorme valor para a disciplina do país. Ele dá uma diretriz de zelo fiscal importantíssima”, disse. 

O secretário também informou que o governo deve trazer uma nova projeção para o PIB nesta quarta-feira (11/3). De acordo com ele, o documento trará um corte em relação aos 2,4% de crescimento estimados para 2020, mas que ainda devem ficar acima dos 2% – acima da previsão de especialistas no Boletim Focus. 

“O crescimento tende a ser reduzido, mas pode ficar acima dos 2%. Colocamos todos os números em três cenários: um mais otimista, um mais neutro e outro mais pessimista. Nós estudamos cenários com diversas gradações”, afirma.

Estímulo fiscal 

Ao contrário do que outros países têm feito para evitar efeitos mais pesados das crises, Rodrigues afirmou que a melhor agenda para o Brasil no momento é a de reformas.  “A nossa diretriz é firme e sólida. Vamos nos manter na defesa das medidas estruturais que propusemos, em particular às reformas administrativa e tributária e a PEC do pacto federativo. Todas essas medidas darão dinamismo na economia”, afirmou.

O secretário reiterou a fala do ministro da Economia, Paulo Gudes, e diz também enxergar com serenidade as turbulências globais. “É um quadro que requer atenção, mas aprovadas as reformas teremos a economia respondendo de maneira sólida”, disse Rodrigues. 

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