Copom vê menor risco na retomada econômica e abre porta para alta maior da Selic

Membros do Copom ainda analisaram, a partir dos dados positivos do mercado de trabalho formal, que a ociosidade da economia como um todo foi reduzida

Moedas de real. 15/10/2010.
Moedas de real. 15/10/2010. Foto: REUTERS/Bruno Domingos

Anna Russi,

do CNN Brasil Business, em Brasília

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Apesar do recrudescimento da pandemia no primeiro semestre de 2021 e da intensidade da segunda onda de Covid-19, a atividade econômica continua evoluindo de forma mais positiva do que o esperado. Assim, o Banco Central vê redução significativa nos riscos para a recuperação econômica e prevê uma retomada robusta da atividade no segundo semestre, “na medida em que os efeitos da vacinação sejam sentidos de forma mais abrangente”. 

A avaliação está na ata da 239ª reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), publicada nesta terça-feira (22). “O Comitê avaliou que os riscos baixistas para a inflação oriundos de fatores que podem afetar a recuperação econômica reduziram-se significativamente”, diz o documento. 

Os membros do Copom ainda analisaram, a partir dos dados positivos do mercado de trabalho formal, que a ociosidade da economia como um todo reduziu mais rapidamente que o previsto, apesar do aumento da taxa de desemprego.

Pressão inflacionária 

O Copom admitiu que a persistência da pressão inflacionária tem sido maior do que o esperado, sobretudo entre os bens industriais. 

“Adicionalmente, a lentidão da normalização nas condições de oferta, a resiliência da demanda e implicações da deterioração do cenário hídrico sobre as tarifas de energia elétrica contribuem para manter a inflação elevada no curto prazo, a despeito da recente apreciação do Real”, considerou. 

O Comitê destacou que as últimas divulgações de inflação surpreenderam em vários países, tanto desenvolvidos quanto emergentes. Também considerou que o risco de um aumento duradouro da inflação nos Estados Unidos podem tornar o ambiente para as economias emergentes desafiador.

Para os membros do Copom, uma possível reversão, ainda que parcial, do aumento recente nos preços das commodities internacionais em moeda local produziria trajetória de inflação abaixo do cenário básico. 

Por outro lado, novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia, como o auxílio emergencial, pressionam a demanda e pioram a trajetória fiscal, podendo elevar os prêmios de risco do país. “Apesar da melhora recente nos indicadores de sustentabilidade da dívida pública, o risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”. 

Assim, o Copom informou que segue atento à evolução desses choques e seus potenciais efeitos secundários, assim como ao comportamento dos preços de serviços conforme os efeitos da vacinação sobre a economia se tornam mais significativos. 

Alta maior em agosto

Como já indicado no comunicado da decisão de política monetária que elevou a Selic de 3,5% ao ano para 4,25% a.a, o Copom deixou a porta aberta para uma alta ainda maior na próxima reunião, que acontecerá em agosto. 

“O Comitê entendeu que a melhor estratégia seria a manutenção do atual ritmo de redução de estímulos, mas destacando a possibilidade de ajuste mais tempestivo na próxima reunião”, informou. 

Na opinião do Comitê, essa estratégia tem duas vantagens: acumular mais informações sobre os tradicionais determinantes da inflação e esclarecer a distinção entre transparência sobre as projeções condicionais e intenções invariantes de política monetária. 

“O compromisso inequívoco do Banco Central é com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante e os passos futuros da política monetária são livremente ajustados com esse objetivo, conforme novas informações se tornam disponíveis. Desse modo, indicações sobre a trajetória futura dos juros, sejam para a próxima reunião ou para o patamar final, são elementos úteis para a compreensão da função de reação da política monetária”, reforçou.

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