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    Coronavírus deve causar prejuízo de, pelo menos, US$ 15 bilhões ao esporte

    Cancelamentos de partidas oficiais e campeonatos devem impactar cerca de 10% de todo o faturamento da indústria esportiva global

    Jogadores da seleção brasileira comemoram gol na Copa América de 2019 (07.jul.2019): Indústria esportiva deve ter impacto de 10% em todo o seu faturamento por efeitos do coronavírus 
    Jogadores da seleção brasileira comemoram gol na Copa América de 2019 (07.jul.2019): Indústria esportiva deve ter impacto de 10% em todo o seu faturamento por efeitos do coronavírus  Foto: Lucas Figueiredo/ CBF

    André Jankavski

    do CNN Brasil Business, em São Paulo

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    Campos vazios, quadras em silêncio e quase nenhuma programação ao vivo na televisão. Esse é o real cenário em que o esporte se encontra em 2020. O motivo, claro, não poderia ser outro: o avanço do coronavírus em todos os pontos do planeta.

    E o tombo para a indústria do esporte será grande: cerca de US$ 15 bilhões, segundo estudo realizado pela consultoria Sports Value, especializada em marketing esportivo, e antecipado ao CNN Brasil Business. Isso representa quase 10% de tudo o que é movimentado pela indústria esportiva.

    Para chegar a esses números, a Sports Value considerou valores que não voltam mais: vendas de ingressos de jogos que não serão mais realizados, direitos de televisão, diminuição da comercialização de produtos oficiais das ligas e dos clubes envolvidos, além da redução dos patrocínios.

    Somente para as principais ligas americanas, o impacto deve ser de US$ 5 bilhões. No caso das cinco ligas europeias de futebol mais importantes, o prejuízo pode chegar a US$ 4,5 bilhões, de acordo com um levantamento realizado pela consultoria KPMG.

    “E esse impacto é apenas a ponta do iceberg para toda a indústria do esporte. As pessoas estão em casa, sem comprar tênis de corrida ou camisas dos seus clubes”, diz Amir Somoggi, sócio diretor da Sports Value. “O prejuízo pode ser ainda maior.”

    Para driblar esse momento, segundo Somoggi, equipes e ligas poderiam investir mais tempo em ações de marketing pelas redes sociais, por exemplo. Porém, ainda é algo que nem mesmo os grandes clubes europeus entenderam qual caminho seguir.

    Uma prova é que jogadores como o brasileiro Neymar e o argentino Lionel Messi possuem mais seguidores do que todos as equipes do mundo, com exceção dos espanhóis Barcelona e Real Madrid. Cristiano Ronaldo, por sua vez, lidera o engajamento nas redes com folga de todos. 

    “Fazer ações e criar conteúdo por meio das redes sociais pode ajudar a diminuir o impacto na diminuição dos valores do patrocínio e das cotas de televisão. É quase certo que os clubes terão uma redução de verbas nos dois casos”, diz Somoggi.

    No caso do futebol brasileiro, o problema é ainda maior. A maioria dos clubes está endividada e, em muitos casos, com receitas antecipadas de contratos de televisão e patrocínio. Para esses, será complicado passar pela pandemia sem a realizações das partidas – e sem nenhum auxílio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

    “A CBF tem que agir no futebol como o governo está agindo com a economia. Tem que pegar os R$ 600 milhões que tem em caixa e distribuir para clubes que podem quebrar com essa parada, especialmente os que dependentes dos campeonatos estaduais”, afirma Somoggi.

    Olimpíada adiada

    As contas acima, no entanto, não levam em conta o adiamento da Olimpíada de Tóquio, anunciado pelo Comitê Olimpíco Internacional (COI) neste mês. Somente para a organização do evento, que também leva em conta todas as obras de infraestrutura de transporte na cidade japonesa para recepção de visitantes e atletas, calcula-se em investimentos na ordem de US$ 26 bilhões.

    Com o impacto especialmente no turismo, o próprio PIB do Japão deve sofrer um grande impacto: a consultoria Fitch acredita que a economia do país deve retrair 1,1% em 2020, ante crescimento de 0,2% esperado anteriormente.

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