Cota adicional de açúcar não representa concessão dos EUA, dizem usineiros

Usineiros contestam a versão do presidente de que o anúncio de hoje é um primeiro resultado das negociações entre Brasil e EUA

Raquel Landimda CNN

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Representantes dos fabricantes de açúcar e álcool disseram que a cota adicional para o açúcar brasileiro anunciada hoje pelo Estados Unidos é “praxe” e não representa um “avanço estrutural” para maior acesso do produto nacional ao mercado americano.

Nesta segunda-feira, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) informou que o Brasil teria uma cota extra de 80 mil toneladas de açúcar na safra 2019-20 direcionada exclusivamente aos produtores do Nordeste.

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Em suas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro disse que é o “primeiro resultado” das negociações entre os dois países. Recentemente, o Brasil prorrogou por três meses a cota de importação de etanol americano, o que foi criticado como uma ajuda indevida do governo brasileiro ao presidente Donald Trump, que concorre à reeleição em novembro.

Os usineiros contestam a versão de que o anúncio de hoje é um primeiro resultado das negociações entre Brasil e EUA. Em nota enviada à imprensa, a União da Indústria Canavieira de São Paulo (Única) disse que a cota adicional é um “procedimento normal”, adotado pelos Estados Unidos nos últimos anos. “Não representa qualquer avanço estrutural para um maior acesso do açúcar brasileiro àquele país”.

Segundo Antonio Rodrigues Pádua, diretor técnico da Unica, os americanos rotineiramente concedem cotas adicionais de importação quando a demanda supera a oferta no mercado local ou quando alguns países beneficiados não conseguem atingir sua meta de exportações.

Os EUA importam pouco mais de 1 milhão de toneladas de açúcar com tarifa preferencial a cada safra, mas esse total é dividido entre vários países produtores. O Brasil responde por apenas 152 mil toneladas. As cotas adicionais não alteram esse volume básico e podem ocorrer ou não.

Além disso, a cota adicional de 80 mil toneladas de açúcar equivale a cerca de 50 milhões de litros de etanol – o que representa apenas 26% dos 187 milhões de litros de etanol que os americanos poderão vender ao Brasil com taxa zero nos próximos três meses.

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