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    Crise na Ucrânia promete tensão para bolsas do Brasil e do mundo, dizem especialistas

    Para analistas, conflito na região pode levar a piora da inflação e mais peso recessivo sobre a economia global

    Ameaça russa de invasão à Ucrânia ainda não acabou, e deve continuar levando turbulência aos mercados ainda por algum tempo
    Ameaça russa de invasão à Ucrânia ainda não acabou, e deve continuar levando turbulência aos mercados ainda por algum tempo Valentyn Ogirenko/Reuters

    Juliana Eliasdo CNN Brasil Business

    em São Paulo

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    A notícia na terça-feira (15) de que o presidente russo, Vladimir Putin, iria retirar parte de suas tropas da Ucrânia e estaria disposto a um diálogo com as lideranças ocidentais para evitar uma guerra na região deu um dia de alívio aos mercados financeiros globais.

    As principais bolsas americanas e europeias encerraram em altas expressivas, de mais de 1%. No Brasil, o Ibovespa atingiu a maior pontuação e o dólar a menor cotação desde setembro do ano passado, navegando também no otimismo internacional.

    Para analistas de mercado, porém, a novela envolvendo a ameaça russa de invasão à Ucrânia ainda não acabou, e deve continuar levando turbulência aos mercados ainda por algum tempo.

    Isto porque as consequências de uma guerra ali poderiam ser desastrosas tanto para a economia regional quanto global, piorando uma situação já ruim de oferta apertada e preços altos de produtos básicos como petróleo, gás e alimentos.

    Por essa razão, apenas uma certeza clara de que o conflito de fato se dissipou tiraria a sombra desta nuvem de um céu que já é nublado para as bolsas de valores globais em 2022.

    “A Ucrânia é um importante fornecedor global de trigo e milho, e a Rússia é uma grande produtora de gás e petróleo”, diz Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank Brasil. “Se tem algum conflito ali, a Europa deixa de receber esses produtos e os preços podem se elevar ainda mais.”

    Todos esses itens, que são commodities negociadas em bolsas internacionais, ficariam mais caros para o mundo todo no caso de uma quebra de suprimento ali para os clientes europeus – e a simples dúvida da ameaça já fez seus preços subirem.

    O barril de petróleo, por exemplo, que já saiu da pandemia mais caro, passou dos US$ 90 nos últimos dias e está hoje nos maiores preços em sete anos.

    “Já temos problemas de gargalos de produção no mundo neste pós-pandemia, e um petróleo ainda mais caro significa logística e produtos mais caros também”, explica Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos.

    “Isso deixaria a inflação global, que já está alta, ainda mais persistente e os bancos centrais teriam que subir os juros ainda mais do que o previsto, o que sacrificaria ainda mais o crescimento econômico”, completa.

    É essa sucessão de efeitos recessivos que entrou de vez para o radar dos analistas e investidores mundo afora nas últimas semanas e que ajudou a amargar as bolsas de valores, conforme Rússia e Estados Unidos subiam o tom e incrementavam os aparatos militares nas fronteiras da Ucrânia

    Nas bolsas de Nova York, o S&P 500 cai 6% desde o início do ano e o índice de tecnologia Nasdaq 100 cai mais de 12%. O índice de ações europeias Euro Stoxx 600 tem retração de 4%.

    Ibovespa com sorte

    Na contramão do resto do mundo, o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, tem conseguido sobreviver à turbulência internacional e manter um desempenho positivo neste começo de 2022. Desde o início do ano, o índice acumula alta de 9,5%.

    Isso acontece em boa parte como revés do péssimo desempenho da bolsa brasileira no ano passado, quando figurou entre as piores do mundo.

    “O cenário macroeconômico ainda não ajuda, mas o investidor vê que a bolsa brasileira está muito mais barata do que deveria e enxerga uma oportunidade”, diz Franchini, da Monte Bravo.

    É isso, explica o analista, que ajudou a trazer de volta em janeiro muito investidor graúdo para a B3 – incluindo o retorno massivo de investidores estrangeiros.

    O momento de bonança, porém, na visão dos analistas, deve ser mais uma correção passageira das quedas exageradas de 2021 do que um fluxo que veio para ficar, justamente porque a situação externa não está favorável para ativos de risco, como ações, e, em especial, de países emergentes.

    “O Ibovespa não deve mais voltar para os 105 mil ou 106 mil pontos a que chegou, mas também não vai para os 120 mil agora. Deve ficar andando lateralmente nessa fixa”, diz Franchini. O índice brasileiro fechou nos 114,8 mil pontos na terça-feira.

    Petróleo e bancos

    Para Gustavo Harada, chefe da mesa de renda variável da BlackBird Investimentos, há também uma separação razoavelmente clara entre setores que têm a ganhar e a perder no mercado brasileiro no atual contexto.

    “O Ibovespa tem conseguido se segurar com a ajuda principalmente de empresas de commodities e os bancos, que tiveram resultados muito positivos”, disse.

    Petroleiras, como a Petrobras e a PetroRio, são algumas, por exemplo, que podem ganhar com o barril mais caro no rastro do estresse na Ucrânia.

    “O setor de óleo e gás, financeiro e de bancos, e a parte de alimentos e bebidas, com melhores expectativas na operação de carnes nos Estados Unidos, devem se beneficiar em 2022”, diz Harada.

    “Por outro lado, ações de varejo, consumo e e-commerce estão mais sensíveis e ainda podem ser bastante impactadas.”

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