CVC que se cuide: Rappi vem aí para vender pacote de turismo e viagem de negócio

Aplicativo de delivery quer ser um super app e não descarta fazer aquisições, diz CEO para o Brasil, Sergio Saraiva

Natália Flach,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Após captar US$ 300 milhões, a Rappi lança nesta quinta-feira (8) a funcionalidade de viagens em seu aplicativo, mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus. É que a nova vertical de compras vai permitir que os usuários façam remarcações e peçam reembolso no app, além de oferecer pacotes que incluem hospedagem e transporte de avião ou de ônibus. 

“A gente vai ser um portal de viagens nacionais e internacionais que vai prover comodidade e conveniência para resolver tudo com o toque da sua mão, de modo que você não precise pegar o laptop ou o telefone para nada”, conta Sergio Saraiva, presidente da Rappi no Brasil. 

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Além das viagens de turismo, o aplicativo contemplará estadias e voos para executivos. Nesse sentido, todos os gastos com as viagens de negócios, incluindo a alimentação, ficarão registrados no app. “Ou seja, a prestação de contas será feita antes mesmo de voltar. Isso reduz o custo operacional para as empresas e oferece mais conveniência para os usuários”, diz.

Super app

Quando a Rappi foi criada há cinco anos, já tinha o objetivo de ser um super app – hoje, ela é avaliada em US$ 3,5 bilhões. Ou seja, um aplicativo que integra várias funcionalidades, como entrega de supermercado, restaurante, farmácia ou qualquer de outra coisa (literalmente), além de vender ingressos de espetáculos e – agora – pacotes de viagem.

“Somos diferente dos concorrentes, pois nascemos como várias empresas dentro de uma só. A gente mira ser o super app da América Latina e está bem avançado nesse caminho. Mas não vamos ter a mesma cara do super app da China, pois tem coisas que só funcionam lá. O que queremos é ter a cara do morador latino-americano e atender as demandas daqui”, afirma.

Entre outras frentes, a companhia pretende incrementar as funções da carteira digital Rappi Pay. “É natural de um super app passar pela gestão das finanças, porque o dinheiro circula entre os parceiros e usuários”, diz.

Segundo o executivo, os concorrentes – sejam eles aplicativos de entrega, bancos ou varejistas – tentam replicar a tese de super app, mas só conseguem atuar em um determinado segmento. “Tem aplicativo só de ecommerce, outro só de delivery. Então, no final, todos eles vão acabar disputando espaço no celular dos usuários”, afirma. E ganhará aquele que oferecer tudo dentro do mesmo ícone. 

Para acelerar a competitividade, está no radar da Rappi a aquisição de companhias. “Se tiver algo que tenha ‘fit’ com nosso DNA e nossa tecnologia, a gente vai certamente comprar. E tem. Está sempre aparecendo coisa interessante nesse mercado”, diz Saraiva.

Pós-pandemia

Durante a pandemia, houve um aumento extraordinário do número de usuários e de pedidos no aplicativo. Mas e depois da descoberta da vacina ou de um remédio para a Covid-19?

“Teve esse pico e estabilizou. Se a pandemia acabasse agora (e espero que acabe o quanto antes), muitos usuários permaneceriam, pois houve de fato uma mudança nos hábitos de consumo. Mas a frequência de compra e o tíquete médio devem ser impactados negativamente”, diz Saraiva.

 

 

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